Domingo, 02 de Agosto de 2026

Home Esporte Novas denúncias de injúria racial e homofobia paralisam jogos de categorias de base de São Paulo

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Menos de 24 horas dos casos de injúria racial e homofobia relatados em partida do Campeonato Paulista Sub-20, entre XV de Jaú e Ituano, o futebol das categorias de base de São Paulo registrou novos episódios de discriminação. Os novos casos aconteceram em jogos dos Paulistas Sub-15 e Sub-17.

O árbitro Marcos Roberto de Jesus Nunes fez boletim de ocorrência após ter sido chamado de “macaco” no jogo entre Votoraty e Referência, pelo Sub-15, e o auxiliar Denival da Silva Pereira foi alvo de manifestações homofóbicas no confronto São Bernardo e Rio Branco, pelo Sub-17. Boletim de ocorrência também foi registrado.

Ao final do primeiro tempo no Estádio Domênico Paolo Mettidieri, em Votorantim, Marcos Roberto de Jesus Nunes foi informado pela delegada da partida que um torcedor o teria chamado de “macaco”, o que foi confirmado por outras testemunhas. O torcedor foi identificado e encaminhado à delegacia. Na retomada do jogo, o árbitro acionou o protocolo antirracista e também foi à delegacia para prestar depoimento e registrar boletim de ocorrência. O quarto árbitro assumiu o jogo que terminou com a vitória do Referência por 3 a 0.

“Fui chamado de MACACO (sic)”, afirmou Nunes nas redes sociais. “Ouvir que isso aconteceu com outra pessoa já é extremamente triste e doloroso. Mas sentir na pele é devastador. A sensação de impotência é tão grande que te faz chorar”, disse o árbitro, que acrescentou ter agradecido a Deus “por não ter um filho”. “Só para saber que ele não passaria por uma situação tão horrível quanto essa.”

No Estádio Rubro Negro, em Itatiba, o Rio Branco vencia por 1 a 0 quando aos 23 minutos do segundo tempo o árbitro Rodrigo Santos paralisou a partida após um alerta do bandeirinha Denival da Silva Pereira. “Um torcedor localizado na arquibancada destinada à torcida visitante do Rio Branco Esporte Clube estava proferindo palavras de caráter homofóbico, utilizando a expressão ‘v…, vai tomar no c…’, de forma ofensiva e direcionada ao referido assistente”, relatou Santos na súmula.

O árbitro informa ter acionado o protocolo aplicado aos casos de discriminação e o Tratado da Diversidade Contra a Intolerância no Futebol Paulista. O jogo ficou parado por 4 minutos. Pereira disse ter condições psicológicas e continuou na partida, que terminou 1 a 0 para o Rio Branco. O torcedor foi identificado pela Polícia Militar.

A Federação Paulista de Futebol publicou nota oficial na qual lamenta e repudia os casos de injúria racial e homofobia e relata que o protocolo foi acionado pelas equipes de arbitragem e as ocorrências foram devidamente registradas. “A FPF acompanhará a apuração dos fatos junto a todos os envolvidos e às autoridades competentes”, afirma a nota. “A Federação reforça que não compactua com qualquer forma de racismo, homofobia, discriminação ou violência e seguirá trabalhando para que o futebol paulista seja um ambiente de respeito e inclusão.”

Documento com conteúdo semelhante havia sido divulgado na noite de sexta-feira, quando a federação anunciou a investigação de casos de injúria racial e homofobia que teriam sido cometidos no jogo entre XV de Jaú e Ituano pelo Paulista Sub-20. Os fatos na sexta-feira foram relatados tanto em campo, quando o árbitro Nelson Marques da Silva ativou o protocolo antirracismo, quanto nas arquibancadas do Estádio Zezinho Magalhães.

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