Quinta-feira, 30 de Julho de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 29 de julho de 2026
Encerrada a Copa do Mundo, o Campeonato Brasileiro de futebol retornou com uma novidade inquietante. O uniforme do Corinthians, time que tem a segunda maior torcida do País, agora serve de veículo para a divulgação de um site de conteúdo adulto.
Em português claro, trata-se de propaganda de conteúdo erótico, que evidentemente não deveria ser veiculada num ambiente frequentado por mulheres e crianças – e é espantoso que o Corinthians tenha aceitado fazê-lo.
Não é o primeiro caso desse tipo. No início de julho, a Justiça de Alagoas determinou que o CSA, um dos principais times do Estado, retirasse de todas as suas camisas e materiais promocionais a marca de um site de “acompanhantes” que pertence ao mesmo grupo que agora patrocina o Corinthians. A Justiça alagoana considerou que a dita propaganda expunha de maneira indiscriminada crianças e adolescentes a um “estímulo inadequado ao seu regular desenvolvimento”, uma clara afronta ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Mas a empresa questionada na Justiça segue inabalável com a estratégia de naturalizar a divulgação de suas atividades para um público amplo e irrestrito, como escancara o acordo de patrocínio ao Corinthians.
Sob o cínico argumento de que cumpre a legislação porque se limita a exibir a marca do site de conteúdo adulto, sem qualquer imagem ou conteúdo impróprio a crianças e adolescentes, a empresa pagará R$ 22 milhões até o final de 2027 para aparecer no uniforme do clube paulista. O valor do contrato pode chegar a R$ 31 milhões caso seja estendido até o final de 2028.
Ora, não é preciso divulgar imagens de cunho erótico nos uniformes dos jogadores para gerar tráfego para o site da empresa. Qualquer um que veja a marca estampada pode rapidamente pesquisá-la e acessá-la na internet.
Não é por outra razão que, por lei, empresas de bebidas alcoólicas não podem aparecer nas camisas dos clubes de futebol. Já há uma condenável leniência com esse tipo de propaganda nas transmissões esportivas, mas pelo menos existe um limite.
Logo, cabe às autoridades competentes agir e eliminar quaisquer potenciais brechas jurídicas exploradas pelas empresas de acompanhantes e conteúdo adulto para fazerem do esporte mais popular do País sua plataforma de vendas.
Ao se associar a esse tipo de empreendimento, o Corinthians entra em flagrante contradição com sua defesa de causas sociais, sobretudo em relação às mulheres. Chega a ser irônico que o clube cujo slogan de seu time feminino é “respeite as minas” as desrespeite de modo tão insensível. O Corinthians informa que a propaganda do site de conteúdo adulto não vai aparecer no uniforme do time feminino. Era só o que faltava.
A crise financeira do Corinthians é crônica e imensa, mas não pode servir de desculpa para que se aceite dinheiro de anunciantes cujos propósitos são prejudiciais aos meninos e meninas que resolveram torcer pelo time. Ao fazê-lo, o Corinthians não só desrespeita as crianças e as mulheres, como degrada sua própria marca. Em outras palavras, é um baita gol contra. (Opinião/O Estado de S. Paulo)