Quarta-feira, 03 de Junho de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 14 de abril de 2023
O projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2024, enviado nessa sexta-feira (14) pelo governo Lula ao Congresso Nacional, condiciona um total de R$ 172 bilhões de despesas no próximo ano à aprovação do novo arcabouço fiscal. A LDO dá as bases para o Orçamento do próximo ano. A distribuição dos valores entre os ministérios só será conhecida em agosto, quando o Orçamento propriamente dito será proposto.
A primeira LDO do governo Lula foi feita com base na regra do teto de gastos, que ainda está em vigor, com fortes restrições de gastos públicos. O teto trava as despesas federais à inflação do ano anterior.
Por outro lado, a proposta também tem um cenário alternativo, considerando o novo arcabouço fiscal, que será protocolado no Parlamento na próxima semana. Se o arcabouço for aprovado pelo Congresso, os gastos serão ampliados de acordo com a nova regra fiscal. Neste momento, são R$ 172 bilhões de despesas condicionadas ao arcabouço.
“O PLDO (projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias) traz a permissão para que o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2024 preveja despesa primária em valor superior ao teto de gastos, condicionada à aprovação do novo arcabouço fiscal”, afirma em nota o Ministério do Planejamento.
“Estima-se, por ora, que as despesas condicionadas à aprovação do novo arcabouço totalizarão R$ 172 bilhões em 2024. Essa autorização viabilizará a recomposição e a execução das políticas públicas prioritárias para o país, o funcionamento da máquina e o investimento da União”, acrescenta à pasta.
Pelas regras da chamada “PEC da Transição”, aprovada no fim do ano passado com apoio do governo eleito, foi aberto um espaço temporário para despesas de até R$ 168 bilhões para este ano. Essa “válvula”, porém, só vale para 2023. A partir de 2024, será necessário aprovar o novo arcabouço fiscal para pelo menos manter o patamar de despesas deste ano.
Estratégia política
A apresentação da LDO baseada totalmente no teto de gastos também é uma estratégia política do governo. Ao mostrar que o teto restringe as despesas, o governo monta um discurso de que apenas o arcabouço fiscal pode compatibilizar um aumento de gastos com responsabilidade fiscal — já que seu desenho prevê que as despesas crescerão menos que as receitas.
O projeto da LDO também prevê um déficit de R$ 7 bilhões no próximo ano, o que é equivalente a 0% do PIB. Assim, cumpriria-se a promessa de zerar o rombo nas contas públicas no próximo ano. A LDO também prevê um superávit de R$ 61,6 bilhões em 2025 (0,5% do PIB) e de 130,8 bilhões em 2026 (1%) do PIB. Esses dados já haviam sido informados pelo governo quando o arcabouço foi apresentado.
Porém, como o arcabouço aumenta os gastos, é preciso aumentar as receitas para atingir as metas — por isso, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, está desenhando um conjunto de medidas para aumentar a arrecadação em mais de R$ 100 bilhões.
O projeto já considera o novo mecanismo intervalo de resultado primário previsto na proposta do arcabouço do governo. De acordo com o projeto, pode ser implementado independentemente da aprovação da proposta da nova regra fiscal. A banda é de 0,25 ponto percentual do PIB para mais ou para menos da meta. Com isso, o texto ainda permite ao governo registrar um déficit no ano que vem dentro desse intervalo, variando de um déficit de R$ 28,7 bilhões a um superávit no mesmo montante.
Na justificativa do projeto, a ministra do Planejamento, Simone Tebet, afirma que as restrições impostas pelo teto de gastos para 2024 “resultará em espaço orçamentário irrealista, que não é capaz de proporcionar o adequado funcionamento da administração pública federal e a continuidade de políticas públicas essenciais”.
Proposta
A proposta de arcabouço fiscal prevê que as despesas sempre crescerão acima da inflação. Esse crescimento será equivalente a 70% do incremento real da receita primária líquida registrada em 12 meses até junho do ano anterior.
Também foram criados parâmetros, limites mínimos e máximos, para os gastos, independentemente da arrecadação. As despesas sempre crescerão entre 0,6% e 2,5% ao ano acima da inflação.
Por exemplo: se a arrecadação subir 5%, considerando a regra de 70%, as despesas poderiam crescer 3,5%. Mas esse percentual ultrapassa o limite máximo. Neste caso, elas aumentariam 2,5%. Se a receita crescer menos que 0,6%, estará garantido um aumento de gastos de 0,6%.