Domingo, 01 de Novembro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 1 de novembro de 2026
A Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) vai reforçar a segurança em aldeias do Mato Grosso do Sul após ameaças a comunidades indígenas depois do segundo turno das eleições. A mobilização foi anunciada pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, neste sábado. As forças de segurança vão atuar nas aldeias Sassoró, em Tacuru, Taquaperi, em Coronel Sapucaia, e Limão Verde, em Amambai. No total, 145 agentes foram designados para patrulhar os locais.
O ministro da Justiça e Segurança Pública, se reuniu em Dourados (MS) no sábado (31) com forças de segurança pública para coordenar as ações de proteção no estado. Participaram a Polícia Federal (PF), Polícia Rodoviária Federal (PRF), Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) e órgãos estaduais, incluindo a Secretaria de Segurança Pública, Polícia Civil e Polícia Militar.
O Ministério Público Federal (MPF) e a PF instauraram uma investigação para investigar ameaças de envenenamento da água de indígenas na aldeia Sassoró que circularam em grupos de Whatsapp de moradores da região. Segundo o ministro Wellington César, a força-tarefa vai atuar em conjunto com as polícias estaduais para que as comunidades sejam devidamente protegidas.
“Todas as providências necessárias foram adotadas nos casos específicos, que já estão sendo investigados em estágio avançado, e a responsabilização ocorrerá nos termos devidos. É importante ressaltar também que a Força Nacional está adotando um procedimento em que estará sempre no terreno para se deslocar até o local que aconteça qualquer ocorrência com aparência criminosa ou severa”, destacou César Lima em entrevista coletiva.
O ministro de Povos Indígenas, Eloy Terena, afirmou que a PF já ouviu dois suspeitos e que o monitoramento da qualidade da água será reforçado. Dois servidores da prefeitura de Tacuru (MS) foram afastados neste sábado após a divulgação dos áudios.
“Nós recebemos 10 casos, depois de filtrar tudo que foi recebido. E, desses 10 casos, quatro são aqui de Mato Grosso do Sul, até o momento. Lógico que é uma averiguação preliminar. Apenas esse caso do envenenamento que tem uma ligação direta com crime político. Os outros atropelamentos, até o momento, não, mas é claro que não serão descartados”, relatou o ministro Eloy Terena.
Equipes da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) no estado também foram enviadas às aldeias de onde partiram denúncias, para qualificar informações e prestar apoio. O Brasil registrou 40 casos de violência política contra indígenas entre julho e outubro de 2026 — cerca de uma ocorrência a cada três dias do período. É o que mostra levantamento da Associação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib).
A maior concentração dos atos violentos se deu no período entre o início oficial da campanha e o primeiro turno (18 casos). Houve apenas um único registro na pré-campanha. Já 13 ocorrências se deram no contexto de segundo turno. Outras seis foram após a fase final do pleito. Segundo o levantamento, houve sete assassinatos, 35 casos de racismo, 11 ameaças de morte, 18 agressões físicas e sete casos de violência de gênero contra indígenas no período. As ocorrências se deram em 15 estados, que vão do Norte ao Sul do país.