Sexta-feira, 24 de Maio de 2024

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O governo federal avalia o retorno do horário de verão no Brasil, encerrado em 2019. A discussão voltou porque o Ministério de Minas e Energia pediu ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) estudos sobre a medida, depois de mudanças na forma como os brasileiros consomem energia elétrica.

O objetivo é avaliar se ter o horário de verão ampliaria o uso da energia solar em um horário de maior consumo, o que reduziria a pressão sobre outras fontes.

A possibilidade está sendo discutida no Ministério de Minas e Energia e no Palácio do Planalto e, neste momento, há uma tendência de retorno do instrumento usado durante décadas para economizar energia elétrica. A decisão final, porém, caberá ao presidente Jair Bolsonaro.

Se for confirmado que ter o horário de verão ampliaria o uso de energia solar em horários de maior consumo, isso pode significar uma economia de água nos reservatórios, com menor acionamento das hidrelétricas. Isso é que está em análise pelo ONS.

No início do governo, coube a Bolsonaro a palavra final a respeito do assunto, quando ele optou pelo fim do horário de verão. Naquele momento, houve uma avaliação técnica de que o horário não fazia mais sentido do ponto de vista do setor elétrico. Agora, a área técnica do governo estuda se houve uma nova mudança no perfil de geração e de consumo de energia, fazendo com que o horário de verão volte a ser vantajoso, ou seja, retorne a gerar economia.

A decisão sobre o assunto, porém, é política, porque o horário de verão mexe com hábitos de trabalho e de consumo de milhões de brasileiros. Com o horário de verão, a população adianta os relógios em uma hora entre outubro e fevereiro.

No passado, as pessoas e empresas eram estimuladas a encerrarem suas atividades do dia com a luz do sol ainda presente, evitando que muitos equipamentos estivessem ligados quando a iluminação noturna era acionada.

Muita gente deixou de ter um horário tradicional de trabalho, chegando em casa já à noite, ao mesmo tempo em que as lâmpadas ficaram muito mais econômicas. Além disso, principalmente durante as tardes de verão, o uso de equipamentos como o ar-condicionado foram intensificados.

O Ministério de Minas e Energia disse que, tendo em vista a competência legal para formulação e aprimoramento das políticas públicas voltadas para o setor energético, “realiza constantemente estudos, pesquisas e avaliações técnicas das medidas possíveis, de acordo com o contexto energético vigente, a fim de manter a segurança energética e a modicidade tarifária ao consumidor brasileiro”.

“Desta forma, ainda não há definição com relação às implicações e implementação da referida medida”, afirmou a pasta.

O ONS disse, em nota, que busca, em caráter permanente, alternativas para aprimorar as políticas públicas voltadas para o setor elétrico brasileiro. “Sendo assim, o estudo solicitado pelo Ministério de Minas e Energia sobre a viabilidade do horário de verão é atualizado anualmente para que seja avaliada a efetividade da implantação da medida”, acrescentou.

O horário de verão foi instituído no Brasil em 1931. O objetivo era economizar energia. Com a luz solar por mais tempo durante o dia, diminuía o uso de lâmpadas, chuveiro e outros aparelhos elétricos quando as pessoas voltavam do trabalho.

Impacto no turismo

Segundo empresários do setor de turismo, o horário de verão é um importante impulso aos negócios, sobretudo em cidades litorâneas. Associações de bares, restaurantes e hotéis reclamaram do fim da medida.

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