Sexta-feira, 17 de Julho de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 16 de julho de 2026
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou nessa quinta-feira (16) que o governo federal terá um programa para ajudar empresas prejudicadas com a nova taxa de 25% que o governo dos Estados Unidos anunciou sobre produtos brasileiros.
“O presidente, o governo do presidente Lula trabalha para apoiar quem trabalha aqui dentro. Quem ajuda o Brasil a crescer e a nossa economia. Então o governo terá um programa de apoio aos que aqui estão labutando, trabalhando e que tenham problemas”, disse Alckmin.
Alckmin disse ainda que o governo brasileiro avaliará usar a Lei da Reciprocidade, mecanismo de defesa comercial que autoriza o governo brasileiro a adotar contramedidas contra países que impõem tarifas, barreiras ou restrições abusivas a produtos e interesses do Brasil.
“Destacar que nós temos uma lei que é a Lei da Reciprocidade, aprovada por unanimidade no Congresso Nacional e que o governo no momento adequado, saberá como implementá-la”, afirmou. “A lei não é retaliatória. Não há retaliação. O que existe uma lei que defendendo o interesse nacional, o interesse dos brasileiros, da economia brasileira”, complementou o vice.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Marcio Elias Rosa, afirmou que as empresas poderão contar com a ajuda do governo de “diferentes modos”. As conversas com os empresários serão conduzidas por ele e pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, já a partir de segunda-feira (20).
O Brasil Soberano, implementado no ano passado no contexto das primeiras tarifas contra o Brasil, irá atender os setores atingidos.
O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) confirmou a proposta de um novo “tarifaço” com uma extensa lista de itens isentos. A medida entra em vigor em 22 de julho.
A decisão é resultado de uma investigação comercial do USTR que levou um ano, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite ao governo americano apurar e combater possíveis barreiras comerciais em outros países.
“Nós já temos prontos os mecanismos de proteção das nossas empresas e dos nossos empregos. Portanto, com coordenação do ministro Márcio Elias Rosa, os setores afetados serão mais uma vez chamados ao diálogo e nós ampliaremos e reforçaremos o Plano Brasil Soberano, que dá apoio a quem foi injustamente afetado pelo tarifaço dos Estados Unidos”, afirmou o ministro da Fazenda, Dario Durigan.
O ministro da Fazenda ainda afirmou que alguns setores podem ser afetados, mas a medida do governo Trumo não afetará “a economia do País como um todo”.
Exportações
O governo calcula que 18% das exportações brasileiras para os Estados Unidos serão afetadas com o novo tarifaço imposto pelo governo Donald Trump contra produtos do Brasil.
“Queria destacar que nós vamos ter cerca de 18% das nossas exportações para os Estados Unidos atingidas, o que corresponde a US$ 7,4 bilhões. Isso levando em conta o ano de 2024, antes, portanto, do início do tarifaço”, afirmou Marcio Elias Rosa.
De acordo com o ministro, o percentual tem como referência as exportações do Brasil para os Estados Unidos em 2024 e corresponde a US$ 7,4 bilhões na balança comercial entre os dois países.
“A Apex, o BNDE, a ABDI vão fazer um empenho redobrado pra gente abrir novos mercados e crescer ainda mais o comércio exterior. Mas, destacando que o ano passado foi o recorde de exportação e este ano, no primeiro semestre também recorde de exportação”, complementou Geraldo Alckmin.
Os representantes do governo brasileiro deram as declarações em uma entrevista coletiva em Brasília, nessa quinta.
Alckmin contestou as alegações usadas pelos EUA para justificar as tarifas de 25% e afirmou que a medida é “injusta e descabida”.
“É injusta porque se nós pegarmos os próprios dados dos Estados Unidos nos últimos 15 anos os Estados Unidos teve conosco superávit na balança comercial. E descabida porque que os argumentos levantados na sessão 301 e aqui vão ser explicitados pelos ministros não tem parte de uma base totalmente falsa. Não tem menor justificativa”, afirmou Alckmin.
Novas taxas
Segundo o USTR, o tarifaço é resultado de uma investigação que concluiu que “várias práticas do Brasil são consideradas injustificáveis e discriminatórias, restringindo a competitividade de agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores americanos”.
Para justificar a aplicação do tarifaço, o USTR elenca uma série de argumentos, entre eles o Pix, alegações de corrupção no Brasil, as decisões do STF envolvendo as big techs, o suposto tratamento injusto na política tarifária brasileira, falhas na proteção à propriedade intelectual, as tarifas sobre o etanol e o desmatamento. (Com informações do portal de notícias g1)