Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026

Home Mundo Governo Trump diz que o Brasil falhou em confrontar “organizações terroristas” PCC e Comando Vermelho e cobra “medidas enérgicas”

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O governo dos Estados Unidos afirmou nesta quarta-feira (16) que o Brasil falhou em “confrontar as organizações terroristas estrangeiras” PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho), assim designadas por Washington este ano, apesar da resistência do governo brasileiro. Em determinação oficial ao Congresso, o presidente Donald Trump disse que tais grupos tornaram o país sul-americano um “centro de distribuição global de cocaína”.

Assinado por Trump, o documento cita “mudanças políticas drásticas” na América do Sul, que, segundo o chefe da Casa Branca, “criaram oportunidades históricas para a cooperação dos Estados Unidos com os governos da região”. Como exemplo, citou a Venezuela, após a prisão e a destituição, “pelo meu governo, do ex-ditador ilegítimo e narcotraficante Nicolás Maduro”. O presidente dos EUA determinou a retirada de Caracas do rol de países que falharam em combater o narcotráfico.

Ainda no trecho sobre a América do Sul, Trump coloca o Brasil na contramão de “muitos governos” no Hemisfério Ocidental que “tomam medidas corajosas para reduzir o fluxo de drogas e erradicar os cartéis”. Em vez disso, ressalta o mandatário, a administração brasileira “falhou em confrontar as organizações estrangeiras designadas terroristas”.

“Essas organizações terroristas brasileiras representam uma ameaça crescente à paz e à segurança em todo o mundo, e o governo brasileiro precisa urgentemente tomar medidas enérgicas para confrontá-las e derrotá-las antes que se espalhem e cresçam”, ressalta o texto.

Com a mudança na classificação das organizações criminosas em atuação no Brasil, o governo americano passou a poder adotar medidas financeiras e operacionais contra os grupos, restringir a migração de integrantes e aqueles considerados associados, além de ampliar o uso da inteligência do Departamento de Defesa dos Estados Unidos para o possível combate às facções.

Em tese, abriu-se abre brecha para que agentes dos EUA, sejam membros das Forças Armadas ou de órgãos de Inteligência como a CIA, pudessem atuar diretamente. As autoridades brasileiras foram contra a designação e reagiram ao anúncio da medida, sob o argumento de risco à segurança nacional.

Essa determinação é um documento anual obrigatório que o presidente dos Estados Unidos envia ao Congresso do país, conforme a lei nacional. Não se trata de um tratado novo nem uma imposição de sanções. É uma lista de quais países os EUA consideram, para o ano fiscal de 2027, ser “grandes rotas de trânsito ou grandes produtores de drogas ilícitas”.

O efeito prático não costuma ser imediato. Em geral, vale como sinal diplomático do posicionamento americano a respeito do tema e para perspectivas de “ajuda” e negociações de colaboração.

Trump cumprimenta presidentes de direita

Trump saudou o avanço da direita no continente americano. Elogiou a troca de poder na Bolívia após “décadas de governos socialistas ineptos” e afirmou esperar “um novo capítulo nas relações entre os Estados Unidos e a Bolívia sob a presidência de Rodrigo Paz”.

Citou ainda o compromisso da nova presidente do Peru, Keiko Fujimori, em trabalhar com os Estados Unidos e outros aliados para “desmantelar o crime organizado” e “aplaudiu” aqueles que chamou de “três dos maiores aliados” no hemisfério — a Argentina de Javier Milei; o Equador de Daniel Noboa; e El Salvador de Nayib Bukele – “por sua liderança, determinação e sucesso na luta contra o narcoterrorismo”.

O documento cita Afeganistão, Bahamas, Belize, Bolívia, Birmânia, China, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, Índia, Jamaica, Laos, México, Nicarágua, Paquistão, Panamá, Peru e Venezuela como principais vias ou produtores de drogas. Pondera, contudo, que a presença de seu nome na lista “não reflete necessariamente” os esforços atuais de seu governo no combate a esse crime.

Segundo o governo americano, a inclusão de países nessa lista leva em conta uma combinação de fatores geográficos, comerciais e econômicos que permitem o trânsito ou a produção de drogas ou precursores químicos, ainda que os governos locais tenham implementado medidas de controle e aplicação da lei.

No documento, Afeganistão, Bolívia, Mianmar e Colômbia são criticados por “falhas substanciais”, nos 12 meses anteriores, em cumprir suas obrigações previstas em acordos internacionais de combate ao narcotráfico. Trump frisou que a prestação de assistência a três desses países, à exceção do Afeganistão, “é atualmente vital para os interesses nacionais” americanos.

Trump disse que Canadá e o México “precisam fazer muito mais” para impedir o fluxo de drogas letais no território americano e cobrou “medidas mais enérgicas” da China, a qual qualificou como “a maior produtora mundial de muitos dos precursores químicos usados ​​na produção ilícita de fentanil, metanfetamina e outras drogas sintéticas”. O presidente americano elogiou a atuação das forças americanas no combate ao crime.

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