Sábado, 24 de Fevereiro de 2024

Home em foco Griezmann se reinventa e volta a ser fundamental na seleção francesa

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Não há muitas dúvidas de que Kylian Mbappé é o jogador mais badalado da França, mas o mesmo não se pode dizer no debate sobre quem é o melhor da seleção nesta Copa do Mundo do Catar. Com três assistências e atuações cerebrais no meio campo, Antoine Griezmann se tornou peça fundamental na campanha que levou a equipe a mais uma final. Pelos pés dele passam as principais ações de jogo no time de Didier Deschamps.

Griezmann já havia sido essencial na Copa da Rússia, quando marcou quatro gols e deu outras quatro assistências. Seus números finais agora são mais modestos, mas a importância dele para a França cresceu. Depois de passar quase toda a carreira como segundo atacante, ele tem atuado no Mundial mais recuado. É armador e, se precisar, volante.

“Sou bastante livre na forma como me relaciono com defesa e ataque”, diz o jogador. “Na hora de defender, tenho que ajudar meus companheiros. E quando temos a bola, tenho que tentar jogar o melhor que posso. Isso me dá mais opções. Fisicamente, me sinto ótimo e, quando estou me sentindo bem, minha cabeça também fica muito melhor e é mais fácil continuar fazendo isso.”

Uma consequência direta desse seu reposicionamento em campo está na falta de gols. Entrando menos na área, Griezmann também finaliza menos e parou de marcar. Na semifinal com o Marrocos, ele alcançou um jejum de 14 partidas sem gols pela França. Por outro lado, as duas assistências dadas nas quartas diante da Inglaterra o transformaram no maior garçom da história da seleção, com 28 passes para gol – um a mais que Henry.

Isso também sustenta o elogio do presidente francês, Emmanuel Macron, que na quarta-feira foi exultante ao vestiário da equipe após a classificação à final. Cumprimentou cada um dos jogadores chamou Griezmann de “generoso”.

As atuações têm sido tão convincentes que até quem seria o dono natural da posição tem elogiado. Logo após a vitória sobre o Marrocos na semifinal, jogo em que Griezmann foi eleito o craque da partida, Pogba postou numa rede social o neologismo “GriezmannKante”, como se o atacante do Atletico de Madrid tivesse incorporado o volante do Chelsea. Tanto Pogba quanto Kanté ficaram de fora da Copa do Mundo por motivo de lesão.

Talento

Para Didier Deschamps, Griezmann tem sido um dos grandes nomes desta Copa do Mundo por estar conseguindo demonstrar de forma efetiva uma necessidade básica para se estar num Mundial: talento.

“Ele é o tipo de jogador que pode realmente mudar um time porque trabalha duro e é muito talentoso tecnicamente”, considera o técnico. “Griezmann está desempenhando um papel um pouco diferente nesta Copa do Mundo, mas que combina bem com ele. Ele gosta de defender tanto quanto de atacar.”

Aos 31 anos, o jogador também demonstra estar mais ciente da importância do foco num Mundial. Após a vitória sobre o Marrocos, ele comparou o resultado com a classificação à final na Copa do Mundo da Rússia, quando a França superou a Bélgica. “Aquela vez, chorei. Acho que agora estou mais focado”, disse. “Já estou focado na final. Estou tentando manter os pés no chão, manter a compostura, focar na recuperação e me preparar para a partida.”

E as apresentações acima da média no Catar jogaram novamente os holofotes para um atleta que passou o ano em baixa. Depois de fazer história no Atletico de Madrid e ajudar a colocar o clube na vitrine do futebol mundial há poucos anos, Griezmann teve uma passagem apagadíssima pelo Barcelona e retornou à equipe de Madrid sob desconfiança. Tanto que passou boa parte dos jogos como opção no banco.

Seu status, certamente, irá mudar quando o futebol espanhol retomar seu calendário após a Copa do Mundo. De reserva de luxo, Griezmann irá se tornar mais uma vez titular absoluto em Madrid. Resta saber se como atacante ou meio-campista. A única certeza é que ele dará conta do recado.

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