Sábado, 31 de Outubro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 30 de outubro de 2026
Os democratas da Câmara dos Representantes querem explicações sobre o papel do Departamento de Estado em facilitar a fuga do candidato derrotado nas eleições presidenciais do Brasil Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos e sobre o processo de emissão de vistos. O senador desembarcou com a família em Miami, na quarta-feira (28), após a Justiça brasileira determinar a entrega dos passaportes dele em meio a investigações sobre evasão de divisas e lavagem de dinheiro.
O jornal The New York Times reportou que a fuga de Flávio contou com ajuda do governo de Donald Trump. O jato particular em que o ex-candidato embarcou na Argentina, fez escala no Equador e depois seguiu para os Estados Unidos foi organizado por Jason Miller, funcionário de comunicações da Casa Branca, informou o jornal americano.
Na noite de quinta, um grupo de 25 deputados democratas, incluindo membros proeminentes da Comissão de Relações Exteriores, enviou uma carta ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, com uma lista de perguntas sobre o envolvimento do Departamento de Estado na fuga e o processo de aprovação da entrada do político brasileiro no país.
O ofício foi obtido em primeira mão pelo site Politico. Na carta, os democratas pedem que Rubio esclareça como o Departamento de Estado coordenou com outras agências para conceder o visto, se os servidores estavam cientes das investigações pendentes contra Flávio Bolsonaro e em que medida as autoridades americanas ajudaram o senador a deixar o Brasil.
“O povo americano e o Congresso têm um legítimo interesse em compreender se os recursos diplomáticos e de imigração dos EUA foram usados para facilitar a viagem de uma figura política estrangeira nessas circunstâncias”, escreveram os democratas. “A transparência é particularmente importante quando os eventos relatados envolvem um processo judicial estrangeiro, relações bilaterais sensíveis e a aplicação consistente das políticas diplomáticas e de imigração dos EUA”.
A iniciativa foi liderada por Sydney Kamlager-Dove, da Califórnia, e Dina Titus, de Nevada.
O plano de fuga foi posto em prática na segunda (26), depois que Flávio Bolsonaro foi informado de que deveria entregar seus passaportes. A medida cautelar havia sido dada na véspera pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o NYT, Eduardo Bolsonaro manteve contato com Miller assim que o irmão foi intimado a entregar os documentos.
Uma fonte do governo disse ao NYT que Flávio Bolsonaro é aguardado para solicitar o status de residente permanente nos Estados Unidos, conhecido como green card. O procedimento normalmente acontece após o recebimento de um visto de imigrante. O pedido de green card de Bolsonaro seria processado rapidamente, de forma semelhante ao que foi concedido a Eduardo Bolsonaro, segundo o mesmo funcionário.
Empresários
A Polícia Federal (PF) investiga qual foi a rota de fuga usada por Flávio Bolsonaro após a derrota na eleição presidencial. Os investigadores apuram como ele saiu de Brasília e chegou a Foz do Iguaçu (PR), na fronteira com a Argentina, e investigam se ele teve a ajuda de empresários e aliados políticos.
O trajeto de Flávio após chegar ao país vizinho já é conhecido, mas ainda há lacunas no caminho feito da capital federal até lá. Uma das possibilidades é que ele tenha feito o trajeto por via terrestre, o que levaria cerca de 20 horas. Na noite de segunda, por volta das 19h50, o comboio usado pelo senador em seus deslocamentos por Brasília deixou o condomínio onde ele mora, mas não há informações sobre os passageiros dos veículos.
Outra hipótese é que um jato privado tenha decolado de algum aeródromo ou pista de pouso em propriedades rurais de Brasília e do entorno rumo a Foz do Iguaçu. Também é analisada a chance de Flávio ter feito parte da viagem de carro e parte de avião.
Dentro desse braço da apuração, investigadores também estão checando se houve auxílio logístico e financeiro de empresários e aliados políticos da família Bolsonaro. A PF suspeita ainda da participação do governo argentino, sob o comando de Javier Milei, na fuga.
Flávio é alvo de um inquérito em que a PF busca aprofundar as investigações que recaem sobre o senador por lavagem de dinheiro. Ele é alvo de um inquérito que atinge também o advogado e seu amigo Willer Tomaz, que desde agosto está nos Estados Unidos.
O senador é apenas investigado. Por isso, a polícia não o trata como foragido. A investigação sobre a fuga se dá pelo fato de ele ter descumprido ordem judicial de entregar os passaportes e se ausentar do País. (Com informações do jornal O Globo)