Quinta-feira, 18 de Julho de 2024

Home Saúde Hipocondria: estudo constata taxa de mortalidade mais alta em pessoas que temem doenças graves

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Um estudo sueco descobriu que pessoas diagnosticadas com hipocondria tendem a morrer mais cedo do que aquelas que não apresentam muita preocupação em relação à saúde. Também conhecida como nosomifalia, a condição é caracterizada pela obsessão com a ideia de ter um problema médico grave não diagnosticado.

A pesquisa, publicada na revista JAMA Psychiatry, foi realizada em nível nacional na Suécia, com 4.129 indivíduos diagnosticados com hipocondria e 41.290 indivíduos semelhantes demograficamente sem hipocondria. Os resultados mostraram que os hipocondríacos tiveram um risco aumentado de morte por causas naturais e não naturais, principalmente suicídio.

As taxas gerais de mortalidade foram mais altas nas pessoas com hipocondria (8,5, em comparação aos 5,5 de pessoas sem a condição). Os hipocondríacos morreram mais jovens, com uma idade média de 70 anos. O seu risco de morte por doenças circulatórias e respiratórias foi maior.

“A prevalência da hipocondria na população geral varia de 4,4% a 9,5% e está associada a um impacto substancial na qualidade de vida e no cotidiano. Além disso, a hipocondria está associada a um risco aumentado de comorbidades psiquiátricas, incluindo transtornos depressivos e de ansiedade, síndrome de fadiga crônica e dor crônica”, diz o levantamento.

Ansiedade

Segundo David Mataix-Cols do Instituto Karolinska, na Suécia, que liderou a pesquisa, o estudo preenche “uma lacuna clara na literatura”.

“Tivemos sorte, porque o sistema de classificação sueco para doenças possui um código separado para a hipocondria, permitindo análise de dados de milhares de pessoas ao longo de 24 anos, de 1997 a 2020”, explica.

O pesquisador acrescenta que levantamentos antigos sugeriam que o risco de suicídio poderia ser menor para pessoas com a condição, mas, com base na experiência clínica, ele sabia que isso estaria incorreto. No estudo, o risco de morte por suicídio foi quatro vezes maior para as pessoas com o diagnóstico.

“A hipocondria é geralmente considerada um distúrbio crônico, com baixa probabilidade de remissão sem um tratamento adequado. Hipocondríacos têm muitas consultas médicas, que geralmente levam a uma cadeia de testes, muitas vezes, desnecessários sob um ponto de vista profissional e contraproducentes em um psicológico”, detalha o estudo.

Os pesquisadores defendem que, teoricamente, a alta vigilância pode levar a um diagnóstico precoce de doenças sérias e, potencialmente, reduzir o risco de mortalidade. Porém, segundo eles, existem muitas razões para acreditar que este não é o caso.

“Primeiro, alguns indivíduos com hipocondria vivem níveis muito altos de ansiedade, a ponto de evitarem contato com serviços médicos. Isso pode prejudicar a supervisão de condições potencialmente severas. Segundo, ansiedade crônica e depressão, que são características da hipocondria, estão associadas a uma gama de consequências à saúde, como doenças cardiovasculares e morte precoce. Por fim, o suicídio não foi formalmente investigado entre hipocondríacos, mas isso pode contribuir para a taxa de mortalidade do grupo”, conclui a pesquisa.

De acordo com o líder do conselho de pesquisa da Associação Psiquiátrica Americana, Jonathan E. Alpert, encaminhar um paciente excessivamente ansioso para profissionais de saúde mental requer cuidado.

“Os pacientes podem se sentir ofendidos, porque sentem que estão sendo acusados de imaginar sintomas. É preciso transmitir aos pacientes uma grande dose de respeito e sensibilidade, dizendo a eles que isso em si é uma espécie de condição, que tem um nome”, diz.

Segundo Alpert, muitas pessoas são hipocondríacas leves, mas também há pessoas no outro extremo do espectro, que vivem em um estado perpétuo de preocupação e sofrimento sobre ter uma doença grave.

“Pessoas com o transtorno estão sofrendo. É importante levar isso a sério e, felizmente, existem bons tratamentos”, afirma.

A hipocondria é uma condição que, geralmente, se desenvolve durante a vida adulta. Os sintomas incluem medo intenso e prolongado de ter uma doença grave e preocupação de que sintomas pequenos indiquem algo grave. O tratamento pode envolver terapia cognitivo-comportamental, técnicas de relaxamento, educação e, às vezes, medicamentos antidepressivos.

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