Domingo, 06 de Setembro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 5 de setembro de 2026
No reservatório de Williston, situado no norte da Colúmbia Britânica, no Canadá, uma massa de terra coberta por vegetação densa chamou a atenção de pesquisadores e do público. Com quase um hectare de extensão, a formação flutuante surgiu em um ponto do lago, desapareceu das imagens de satélite e reapareceu semanas depois em uma localização totalmente diferente.
A ilha foi avistada no fim de julho por uma pessoa que navegava pelo reservatório, um dos maiores lagos artificiais do mundo. Repleta de árvores e habitada por pássaros e outros animais, a massa de terra chamou a atenção dos moradores da região porque não aparecia em nenhum mapa e, aparentemente, ninguém havia se deparado com ela antes, como aponta a revista Smithsonian.
Fotos e um vídeo da ilha começaram a circular nas redes sociais em agosto. As imagens eram tão incomuns que Bob Gammer, porta-voz da BC Hydro, empresa pública responsável pelo reservatório, inicialmente suspeitou que elas pudessem ter sido produzidas com inteligência artificial, como relatou ao The Guardian. Uma imagem de satélite registrada em 21 de julho, porém, confirmou que a ilha realmente existia.
Localização
A resposta veio no fim do mês, quando, em 31 de agosto, a BC Hydro encontrou a formação flutuando a quase 32 km a noroeste de sua posição original. Na prática, portanto, a ilha não tinha desaparecido, ela simplesmente se deslocou pelas águas do reservatório. Segundo a empresa, foram aproximadamente 30 km percorridos em 15 dias.
Ainda não está claro, no entanto, como a ilha surgiu. Uma das hipóteses apresentadas por Gammer é que troncos e outros restos de madeira tenham se acumulado durante anos perto da margem. Conforme esse material se decompôs, plantas e árvores teriam criado raízes sobre ele, formando aos poucos um habitat capaz de abrigar diferentes animais.
As condições recentes do lago podem ter ajudado a desprender essa massa da margem. O reservatório atingiu seu nível mais alto em 14 anos após um inverno com grande acúmulo de neve e fortes chuvas durante o verão. Com a elevação da água, a ilha poderia ter sido erguida e levada para uma área aberta do lago.
Mistério
Nem todos os especialistas, no entanto, estão convencidos dessa explicação. Em entrevista ao The Canadian Press, o geólogo John Joseph Clague, da Universidade Simon Fraser, observou que a erosão faz árvores caírem no lago, mas considera difícil explicar como esse processo poderia produzir uma massa florestal tão grande. Por isso, a origem da ilha continua sendo uma incógnita.
Formações flutuantes desse tipo não são inéditas. A ecóloga marinha Rebecca Helm, da Universidade de Georgetown (EUA), explicou ao National Geographic que estruturas semelhantes já foram registradas em outros lugares e teriam sido mais comuns antes da exploração madeireira em larga escala e da construção de barragens, que interferem no transporte de madeira pelos cursos d’água.
Apesar da curiosidade despertada pela ilha, a recomendação é observá-la de longe. Gammer alerta que sua base provavelmente consiste em uma camada fina e delicada de troncos. “É naturalmente instável. Portanto, é perigoso subir na ilha ou atracar um barco nela. Seria muito arriscado fazer isso”, afirmou ao The Canadian Press. (Com informações do g1 e revista Galileu)