Quarta-feira, 12 de Agosto de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 12 de agosto de 2026

Entre meados de 2025 e abril de 2026, a pecuária leiteira brasileira enfrentou uma das mais severas quedas de preços da última década. Nesse cenário, muitas propriedades viram o Custo Operacional Efetivo (COE) ultrapassar 85% da receita, comprometendo caixa e investimentos. Já as fazendas mais eficientes conseguiram manter o índice dentro da faixa recomendada de até 70%, evidenciando que a gestão por indicadores técnicos e econômicos deixou de ser acessório para se tornar fator de sobrevivência.
O levantamento do Serviço de Inteligência em Agronegócios (SIA), conduzido pelo gerente técnico Marcelo Irala, mostra que o controle sistemático de custos e desempenho foi decisivo. “Quando o custo direto supera 70% da receita, o produtor perde margem para pagar despesas fixas e investir. Durante a crise, vimos propriedades acima de 85%, enquanto as mais eficientes conseguiram manter o indicador sob controle”, afirma.
A alimentação concentrou os maiores desequilíbrios. Em algumas fazendas, os gastos com concentrado chegaram a consumir mais de 45% da receita, enquanto nas mais eficientes permaneceram abaixo de 40%. O estudo também destacou a RMCA (Renda Menos Custo Alimentar), indicador que mede a eficiência econômica da dieta das vacas em lactação. O ideal é que não ultrapasse 50% da receita, mas houve casos em que chegou a 60%.
Além dos indicadores econômicos, índices zootécnicos como produção por vaca, Dias em Lactação (DEL) e percentual de vacas em produção são estratégicos. O DEL permite avaliar a eficiência reprodutiva e antecipar ajustes de manejo. Já o percentual de vacas em lactação deve representar entre 50% e 60% do rebanho; muitas propriedades operam abaixo de 35%, comprometendo a rentabilidade. Outro índice essencial é a margem líquida, que mede o retorno financeiro da atividade e orienta decisões sobre expansão ou continuidade do negócio.
Irala ressalta que a pecuária leiteira caminha para um modelo em que a tomada de decisões será cada vez mais baseada em dados. “O produtor do futuro terá esses indicadores como metas permanentes de gestão. Quem acompanhar esses números e agir rapidamente diante das adversidades terá mais condições de preservar a rentabilidade e garantir a sustentabilidade do negócio”, projeta.
O estudo do SIA reforça que crises de preço não são apenas conjunturais, mas também testes de eficiência. Propriedades que monitoram custos e desempenho conseguem ajustar dieta, reprodução e composição do rebanho com rapidez, preservando margens mesmo em cenários adversos. Já aquelas que operam sem métricas claras ficam vulneráveis, com risco de comprometer caixa e inviabilizar investimentos.
Em síntese, a mensagem é clara: na pecuária leiteira, números não são apenas registros, mas instrumentos de sobrevivência. A crise de 2025–2026 mostrou que quem domina seus indicadores tem mais chances de atravessar turbulências e se manter competitivo em um mercado cada vez mais exigente.(Por Gisele Flores – gisele@pampa,com.br)