Domingo, 28 de Novembro de 2021

Home em foco Inflação acelera nos Estados Unidos e chega a 5,4% em 12 meses, puxada por preços de alimentos e moradia

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O Índice de Preços ao Consumidor, principal indicador de inflação nos Estados Unidos, saltou mais do que o esperado no mês de setembro, puxado por um aumento de custos dos alimentos, dos aluguéis e de móveis em razão da oferta limitada de moradias e da escassez de insumos por causa de problemas na cadeia de suprimentos. Todos esses fatores combinados ajudaram a alimentar uma inflação mais acelerada.

A alta foi de 5,4% em setembro em comparação com o mesmo mês do ano passado, número acima do esperado por economistas em uma pesquisa feita pela Bloomberg e mais rápido do que o aumento de 5,3% até agosto. Com o resultado, aumenta a pressão tanto sobre o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, quanto sobre a Casa Branca, porque o período de inflação mais acelerada já dura muito mais do que as autoridades esperavam.

De agosto a setembro, o índice subiu 0,4%, também acima das expectativas. As altas mensais até diminuíram em relação ao ritmo vertiginoso no primeiro semestre, quando chegaram a 0,9% no meio do ano, mas permanecem acima do normal. E as pressões sobre os preços não estão diminuindo tão rapidamente quanto o governo americano ou o Fed gostariam.

A alta de setembro ocorreu porque os alimentos — especialmente carnes e ovos — ficaram mais caros para os consumidores. Os preços de habitação também aceleraram, algo que disparou o alarme entre muitos economistas. Os custos de moradia são uma parte importante da inflação geral e a pressão sobre esse segmento tende a durar algum tempo.

Em razão da persistência dos aumentos de custos, a Administração da Previdência Social (órgão equivalente ao INSS) disse nesta quarta-feira (13) que os benefícios sociais terão aumento de 5,9% em 2022, o maior reajuste em 40 anos no país.

A realidade é que nos Estados Unidos as famílias estão pagando mais pelo jantar, pelo combustível e pela moradia, o que traz um grande problema político para o governo do presidente Joe Biden e um dilema econômico para o Fed.

Os eleitores podem punir os democratas nas urnas porque os ganhos salariais, embora decentes, não cobrem totalmente os custos mais elevados. E, à medida que os preços sobem em áreas-chave como aluguel, aumentam as chances de que a alta de preços dure algum tempo.

A inflação saltou no início de 2021, à medida que os preços de passagens aéreas, refeições em restaurantes e vestuário se recuperaram após uma queda, devido ao bloqueio da economia durante o auge da pandemia. Isso era esperado.

Mas, mais recentemente, os preços continuaram subindo, já que a escassez de insumos faz com que as empresas não consigam acompanhar o rápido crescimento da demanda. Fechamentos de fábricas, rotas de navios congestionadas, a escassez de mão de obra nos portos e filas de caminhões tornaram as mercadorias difíceis de produzir e transportar.

Espiral ascendente

Os entraves não mostram sinais óbvios de redução e, embora os diretores do Fed ainda pensem que a inflação vai diminuir, eles estão cada vez mais preocupados que as interrupções no fornecimento possam durar o tempo suficiente para levar os consumidores e as empresas a esperar preços mais altos.

Se as pessoas acreditam que seu custo de vida vai custar mais, elas podem exigir uma remuneração mais alta — e à medida que os empregadores aumentam os salários, podem cobrar mais por seus produtos para cobrir os custos, iniciando uma espiral ascendente.

Os salários já estão subindo, embora não a ponto de compensar totalmente a inflação deste ano. Há notáveis ​​exceções, incluindo em empregos de lazer e hotelaria, onde os salários aumentaram mais rapidamente do que os preços.

O Fed visa uma inflação de 2% em média usando um índice diferente chamado de Despesas de Consumo Pessoal. Esse indicador é divulgado com mais atraso, mas também saltou neste ano.

As autoridades do Fed já estão planejando reduzir em breve seus US$ 120 bilhões em compras mensais de títulos, um primeiro passo para se livrar das políticas de estímulo para enfrentar a crise. A ferramenta mais tradicional do Fed, a taxa de fundos federais (a taxa básica de juros), permanece definida como quase zero e deve permanecer assim por algum tempo.

O Fed já sinalizou que usaria suas ferramentas para controlar a inflação se ela se mostrasse persistente, mas eles preferem deixar os custos dos empréstimos em níveis baixos até que o mercado de trabalho esteja mais completamente recuperado.

Essas metas potencialmente conflitantes podem definir o cenário para um 2022 tenso. Alguns diretores podem começar a pressionar para aumentar as taxas mais cedo, graças ao aumento dos preços.

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