Terça-feira, 03 de Fevereiro de 2026

Home Saúde Injeção semestral que previne HIV: acordo com Fiocruz poderá permitir produção do novo medicamento no Brasil; entenda

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A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a farmacêutica Gilead Sciences assinaram um memorando de entendimento que pode abrir caminho para a produção, no Brasil, do lenacapavir — injeção semestral para prevenção do HIV com eficácia próxima de 100%. O medicamento foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em janeiro.

Em nota, a Gilead informou que mantém “discussões ativas com diversas entidades no país, incluindo o Ministério da Saúde”, ao qual a Fiocruz é vinculada, para “explorar caminhos que permitam disponibilizar o lenacapavir para PrEP (profilaxia pré-exposição ao HIV)” no Brasil. Segundo a empresa, o memorando foi firmado com a unidade Farmanguinhos, da Fiocruz, e prevê a avaliação de alternativas de cooperação, incluindo uma eventual transferência de tecnologia com fabricação local.

A possibilidade de transferência de tecnologia permitiria que a Fiocruz produzisse o medicamento no país antes do fim da vigência da patente, processo que costuma levar anos. De acordo com o Instituto de Tecnologia em Fármacos da Fiocruz (Farmanguinhos), o memorando foi assinado em maio do ano passado e não representa, por ora, um compromisso formal entre as partes.

“O documento estabelece as bases para a avaliação, discussão e análise de medicamentos inovadores para prevenção de HIV/aids que possam contribuir com as políticas do Sistema Único de Saúde (SUS)”, informou a instituição.

Um dos principais benefícios da produção local seria a redução de custos, especialmente em um eventual cenário de incorporação do medicamento ao SUS. Atualmente, a rede pública oferece a PrEP em comprimidos, que também reduzem o risco de infecção a níveis próximos de zero, mas exigem uso diário, o que dificulta a adesão de parte dos usuários.

O lenacapavir, que será comercializado no Brasil com o nome Sunlenca, requer apenas duas aplicações por ano. A indicação aprovada pela Anvisa é para pessoas que não vivem com HIV, com idade acima de 12 anos e peso superior a 35 quilos.

Ainda não há previsão de lançamento nem definição de preço no país. O valor máximo deverá ser estabelecido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). Já a eventual oferta pelo SUS depende da avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e de decisão do Ministério da Saúde.

Nos Estados Unidos, o tratamento custa mais de US$ 28 mil por pessoa ao ano, o equivalente a cerca de R$ 150 mil, o que tem dificultado sua adoção por sistemas públicos de saúde. Em outros países, a Gilead anunciou acordos para a produção de versões genéricas em cerca de 120 nações de média e baixa renda com alta incidência de HIV, mas o Brasil ficou fora da lista, o que gerou críticas de pesquisadores da Universidade de Liverpool. Um estudo do grupo estimou que o medicamento poderia ser vendido por cerca de US$ 25 com margem de lucro.

A Gilead afirma, no entanto, estar comprometida com uma política de preços “equitativa e sustentável” no Brasil.

Paralelamente às negociações, a Fiocruz dará início a um estudo em sete cidades brasileiras para avaliar a viabilidade da implementação do lenacapavir no SUS: Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, São Paulo, Campinas, Salvador, Florianópolis e Manaus. A pesquisa é financiada pela Unitaid, conta com apoio do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas e do Ministério da Saúde, e terá os medicamentos doados pela Gilead. O projeto está na fase final de preparação para iniciar a inclusão de participantes.

Em julho do ano passado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a recomendar o lenacapavir como parte da estratégia de prevenção combinada ao HIV, classificando a injeção como a alternativa mais próxima de uma vacina disponível atualmente.

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