Sábado, 15 de Agosto de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 14 de agosto de 2026
Um conjunto de inquéritos da Polícia Federal em tramitação sob relatoria do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino investiga o atual governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), sob suspeita de ser líder de uma organização criminosa envolvida em desvios de verbas públicas e até mesmo em um homicídio. Segundo o ministro, os crimes investigados estão relacionados.
A PF também apura uma suposta pressão do senador Weverton Rocha (PDT-MA) sobre o ministro Humberto Martins, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), para travar apuração de assassinato.
Brandão afirmou sofrer uma perseguição do ministro. Weverton disse que repreende tentativas de associá-lo ao caso do assassinato. Martins foi procurado e não se manifestou. Anteriormente, havia dito que todas as informações solicitadas no habeas corpus objeto da matéria foram esclarecidas e enviadas ao relator, Flávio Dino.
Nesta sexta-feira, 14, Flávio Dino retirou o sigilo de três decisões proferidas por ele nessas investigações. A medida, que permite detalhar o que pesa contra Brandão, foi tomada após o ministro ter se tornado alvo de críticas públicas por causa de uma operação ordenada pelo colega Alexandre de Moraes para descobrir a fonte de um jornalista que publicou reportagens sobre carros oficiais do Tribunal de Justiça do Maranhão usados por Dino e sua família no estado.
O informante seria Raimundo Cutrim, ex-secretário do governo de Brandão. Segundo a decisão de Moraes, ele teria cometido crime de perseguição contra Dino e acessado sistemas de informação indevidamente para levantar informações sobre Dino e familiares, o que representaria um risco à segurança. Em março, Moraes havia determinado buscas contra o jornalista Luís Pablo Conceição Almeida, do Blog do Luís Pablo.
Carlos Brandão foi vice de Flávio Dino quando ele governou o Maranhão, mas eles romperam politicamente em 2024, quando Dino já era ministro do STF. Hoje, o governador afirma que o ministro usa a toga para persegui-lo e prejudicá-lo politicamente.
São quatro casos sob a relatoria de Flávio Dino:
Tribunal de Contas: O ministro cuida de ação que discute critérios para escolha de conselheiros do TCE-MA;
Obstrução e coação: Raimundo Cutrim é apontado como chefe de uma ‘contrainteligência’ que subornava e instruía testemunhas a mentirem para proteger o grupo de Carlos Brandão. Foi gravado sugerindo que o pai de um assassino orientasse o filho a mudar versão sobre Daniel Brandão, conselheiro do TCE-MA e sobrinho do governador. Crime teria ligação com desvio de recursos;
Desvio de emendas: PF aponta existência de esquema financeiro que utilizava empresas de fachada e “contas de passagem” para desviar recursos federais provenientes de emendas parlamentares. Empresas das quais Carlos Brandão é suspeito de ser sócio oculto foram alvo;
Infiltração na PF: Um agente federal do Maranhão estaria a serviço do grupo de Brandão. Ele teria acessado dados sigilosos e coagido familiares do assassino confesso se passando falsamente por integrante da equipe de investigação.
Como revelou o Estadão, investigações tramitavam no Superior Tribunal de Justiça (STJ) até o início deste ano por suspeita de envolvimento de um sobrinho do governador, Daniel Brandão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, que tem direito a foro especial, em um assassinato ocorrido em 2022. Com informações do portal Estadão.