Terça-feira, 21 de Abril de 2026

Home Colunistas Instituições e ciência como bússola para o futuro

Compartilhe esta notícia:

Estar no auditório do Congresso Internacional Rede de Controle e Pós-COP30 em Porto Alegre foi uma experiência que me transformou. Eu fui como desenvolvedor de negócios sustentáveis em busca de mais conhecimento técnico, mas recebi muito mais: uma verdadeira imersão na força das instituições e na relevância da ciência diante da crise climática. Em tempos de desinformação e de tentativas de desmoralização dos sistemas públicos, especialmente o jurídico, ouvir autoridades como Juarez Freitas e Carlos Nobre foi como reencontrar a confiança em pilares que sustentam a democracia e a esperança de um futuro melhor.

Os organizadores — o Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul, a Audicon e entidades como Atricon, IRB, Abracom, CNPTC, ANTC, Ampcon e ASUR — mostraram que não se tratava apenas de reunir especialistas, mas de criar um espaço de diálogo interinstitucional capaz de fortalecer a rede de controle. Essa articulação foi visível em cada painel e palestra, e me fez enxergar que o Brasil tem condições de se tornar referência mundial em auditoria climática e governança pública. A presença de autoridades nacionais e internacionais reforçou a seriedade do encontro e deu a dimensão global do desafio que enfrentamos.

Juarez Freitas trouxe uma dimensão ética e filosófica que me tocou profundamente. Ao tratar do direito intergeracional, lembrou que nossas decisões não dizem respeito apenas ao presente, mas também às gerações futuras. Essa perspectiva amplia a responsabilidade de todos nós: governos, instituições e cidadãos. Não basta pensar em soluções imediatas; é preciso projetar políticas que garantam a sobrevivência e a dignidade daqueles que ainda virão. Essa visão me fez refletir sobre como meu trabalho em negócios sustentáveis só terá sentido se estiver alinhado com essa lógica de justiça entre gerações.

Carlos Nobre, por sua vez, trouxe a força da ciência para dentro do auditório. Sua palestra sobre os riscos climáticos foi um alerta contundente: não há mais tempo para hesitação. Ele falou sobre os pontos de não retorno da Amazônia, sobre os impactos globais das mudanças climáticas e sobre a necessidade de políticas públicas baseadas em evidências científicas. Lembrei que Nobre já esteve ao lado do Papa Francisco em encontros sobre a crise ambiental e que sua voz ecoa em fóruns internacionais, sempre defendendo que ciência e ética caminhem juntas. Sua presença no congresso reforçou que o Brasil tem cientistas de renome mundial que não apenas estudam os riscos, mas também se engajam em buscar soluções.

Enquanto eu escutava, refletia também sobre o papel do cidadão nesse tabuleiro social que constitui uma nação. Não somos meros espectadores. Somos parte ativa da engrenagem que sustenta a democracia e a governança climática. O cidadão consciente fiscaliza, cobra, participa e legitima o trabalho das instituições. Sem essa participação, qualquer sistema público se fragiliza. Foi inspirador perceber que, mesmo diante de tantas tentativas de desinformação, ainda há espaço para o fortalecimento da cidadania e para a construção de um futuro mais justo e sustentável.

Os tribunais de contas e os ministérios públicos, junto às promotorias, mostraram-se como guardiões da transparência e da legalidade. São eles que asseguram que recursos públicos sejam aplicados corretamente e que compromissos internacionais não se percam em discursos vazios. Em tempos de ataques às instituições, compreender o papel desses órgãos foi como enxergar uma muralha de proteção contra a corrosão da confiança social.

Saí do congresso com a sensação de que recebi muito mais do que buscava. Eu queria ampliar meus conhecimentos técnicos, mas encontrei uma reafirmação do valor das instituições, da ciência e da cidadania. Vi que quando direito, ciência e controle público se encontram, nasce uma força capaz de enfrentar até os maiores desafios climáticos. E percebi que meu papel como desenvolvedor de negócios sustentáveis só faz sentido dentro desse ecossistema institucional sólido, que garante que a sustentabilidade não seja apenas uma palavra bonita, mas uma prática real.

Renato Zimmermann é desenvolvedor de negócios sustentáveis e ativista da transição energética

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Colunistas

Herança maior que a lei
Sem saber, sem poder
Deixe seu comentário
Baixe o app da RÁDIO Pampa App Store Google Play
Ocultar
Fechar
Clique no botão acima para ouvir ao vivo
Volume

No Ar: Programa Conexão Pampa