Sábado, 23 de Maio de 2026

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Em meio à frágil trégua entre Estados Unidos e Irã, o chefe negociador da república islâmica, Mohamad Baqer Qalibaf, lançou neste sábado (23) um duro alerta a Donald Trump. Ele afirmou que Teerã responderá de forma “esmagadora” caso Washington retome as hostilidades e disse que o regime usou o cessar-fogo em vigor desde 8 de abril para reconstruir suas Forças Armadas.

“Nossas Forças Armadas foram reconstruídas durante a trégua de tal maneira que, se Trump cometer outro ato de loucura e reiniciar a guerra, [o resultado] será certamente mais esmagador e amargo para os Estados Unidos do que no primeiro dia da guerra”,  publicou Qalibaf nas redes sociais.

A declaração ocorre após novas falas de Trump, que, em tom de ultimato, disse que as negociações com Teerã estão “no limite” entre a conclusão de um acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio e a retomada dos ataques.

“Se não obtivermos as respostas corretas, isso avança muito rápido. Estamos totalmente prontos para agir. Temos que conseguir as respostas corretas: elas teriam que ser completamente boas, 100%”, afirmou Trump.

Diante do risco de ruptura do cessar-fogo, Paquistão e Catar enviaram delegações ao Irã, segundo autoridades e diplomatas informaram na sexta-feira, em uma intensificação dos esforços para evitar uma nova escalada entre Washington e o regime islâmico.

Neste sábado, o chefe do Exército paquistanês, marechal de campo Syed Asim Munir, que tem desempenhado papel central na mediação conduzida por seu país, reuniu-se com Qalibaf. O encontro foi visto como sinal de que as negociações diplomáticas ganharam impulso em meio ao temor crescente de retorno à guerra aberta e à posição oscilante de Trump no conflito.

Em conversa com o secretário-geral da ONU, António Guterres, o chanceler iraniano, Abás Araqchi, criticou as “posições contraditórias e as repetidas exigências excessivas” de Washington, segundo as agências Tasnim e Fars. Esses fatores, afirmou Araqchi, “perturbam o processo de negociações conduzido sob mediação do Paquistão”.

“Apesar de sua profunda desconfiança em relação aos Estados Unidos, a República Islâmica do Irã participou do processo diplomático com uma abordagem responsável e a maior seriedade, e busca alcançar um resultado razoável e equitativo”, acrescentou.

Segundo a agência iraniana Irna, o chefe do Exército paquistanês conversou até as primeiras horas de sábado com Araqchi sobre os “últimos esforços e iniciativas diplomáticas destinadas a impedir uma nova escalada”.

As conversas, de acordo com relatos, se concentraram em um documento de 14 pontos proposto pelo Irã, considerado por Teerã o principal marco para as discussões, além das mensagens trocadas entre as partes.

Qalibaf afirmou ainda que o Irã defenderá seus “direitos legítimos” tanto no campo de batalha quanto por meio da diplomacia, mas disse que não pode confiar em “uma parte que carece completamente de honestidade”, acusação já repetida por Teerã em outras ocasiões.

Em seguida, insistiu que as Forças Armadas iranianas reconstruíram suas capacidades durante o cessar-fogo e que, se os Estados Unidos “retomarem estupidamente a guerra”, as consequências serão “mais contundentes e amargas” do que no início do conflito.

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Irã ameaça resposta “esmagadora” aos Estados Unidos após Donald Trump falar em retomar ataques
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