Sábado, 11 de Julho de 2026

Home Mundo Saiba por que o Serviço Secreto dos Estados Unidos aconselhou Trump a não usar avião doado pelo Catar

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Ao deixar a Turquia após uma tensa reunião de líderes da Otan, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chamou a atenção por usar em sua viagem de retorno não o novo Air Force One, doado pelo Catar, mas sim uma versão anterior. Segundo a imprensa americana, uma decisão tomada por sugestão do Serviço Secreto, ligada à suposta falta de alguns sistemas de segurança do avião e à retomada dos ataques dos EUA contra o Irã na região do Golfo Pérsico.

Na pista em Ancara, Trump subiu as escadas rapidamente, e os passageiros que embarcaram na sequência receberam a determinação de fechar as janelas. Aos jornalistas a bordo, o presidente tentou desconversar, afirmando que estavam em um “um terreno perigoso, por causa dos canalhas com quem temos de lidar”, e que era o “alvo número 1 do Irã”. Enquanto falava, bombas caíam sobre o território iraniano, a menos de 2 mil km da capital turca, e sobre o Bahrein e o Kuwait.

O velho Air Force One pousou na noite de quarta-feira (8) na base de Mildenhall, no Reino Unido, onde o novo Air Force One — que havia levado Trump à Turquia — o aguardava para o retorno a Washington. No Truth Social, disse que havia trocado de aeronave “pelos velhos tempos” e para dar a oportunidade às tropas americanas na base britânica para que “dessem um tour” pelo novo avião. Na publicação, deu de ombros para supostas preocupações com sua segurança.

Mas segundo integrantes do governo e analistas ouvidos pelo The New York Times, a troca ocorreu a pedido do Serviço Secreto, responsável pela segurança de membros do alto escalão, porque o novo avião ainda não teria todos os sistemas de defesa presentes na versão antiga. Não havia uma ameaça específica e a decisão foi tomada por excesso de cautela, acrescentam, mas o episódio evidenciou as muitas questões que surgiram desde a doação do Boeing 747-8 feita pelo Catar.

A aeronave, avaliada em US$ 400 milhões, passou por uma adaptação de cerca de um ano para atender às exigências de segurança, mas diante da pressa de Trump, parlamentares e membros do governo questionam se houve tempo hábil para as modificações necessárias. Fontes na indústria aeroespacial e no Pentágono disseram ao The New York Times disseram que uma operação do tipo levaria até dois anos e custaria US$ 1 bilhão, mais do que o dobro do que o governo Trump diz ter gasto.

Segundo imagens obtidas pela agência Associated Press, o novo Air Force One não teria os mesmos sistemas de detecção e evasão de mísseis de seu antecessor, tampouco está claro se houve um reforço da fiação interna para protegê-la de pulsos eletromagnéticos, essencial no caso de uma guerra nuclear.

“No tempo de que dispunham, eles conseguiriam realizar atualizações nos sistemas de comunicação. Mas nada que exigisse obras estruturais significativas”, disse Andrew Hunter, responsável pelo programa do Air Force One no governo de Joe Biden. “E realizar uma atualização completa, equivalente à do Air Force One, exige, sim, modificações estruturais.”

O Serviço Secreto e a Força Aérea não comentaram, e a Casa Branca, através do diretor de Comunicações, Steven Cheung, disse que o jato vindo do Catar é “uma aeronave de última geração equipada com protocolos de segurança de alto nível que garantem a segurança do presidente e de sua equipe.”

“Como o presidente afirmou recentemente, existem muitos inimigos da América que o têm como alvo, e usamos todas as ferramentas à nossa disposição — incluindo distração e desinformação — para lidar com essas ameaças”, acrescentou em comunicado.

Entregue ao Emirado do Catar em 2012, o 747-8 foi oferecido ao presidente americano no momento em que ele pressionava a Boeing a acelerar a entrega dos novos aviões presidenciais construídos inteiramente nos EUA, um processo marcado por atrasos, custos bilionários e previsto para ser concluído em 2028. Neste cenário, a Casa Branca aceitou a oferta em 2025, com a condição de que a aeronave seria usada temporariamente e que, após o fim do mandato de Trump, seria destinada à biblioteca presidencial. Em paralelo à reforma, surgiram inúmeras questões éticas, legais e, como presenciado na última quarta, de segurança, na maioria sem resposta. (Com informações do jornal O Globo e de agências internacionais)

 

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