Quarta-feira, 23 de Setembro de 2026

Home Política Jato usado por Alexandre de Moraes vale R$ 74 milhões

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O avião do banqueiro Daniel Vorcaro utilizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi adquirido por R$ 74,2 milhões por uma empresa ligada ao dono do Master, conforme dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

No domingo (20), o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, revelou um vídeo que mostra o ministro e sua mulher, Viviane Barci de Moraes, desembarcando do jato executivo Legacy, de matrícula PP-NLR, no Aeroporto Santos Dumont, no Rio, em agosto do ano passado. O jato foi uma das duas aeronaves oferecidas por Vorcaro a Viviane na tentativa de abater o volume de pagamentos que fazia ao escritório de advocacia dela, conforme mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF) no celular do banqueiro.

A certidão de propriedade e ônus reais do avião, emitida pela Anac, mostra que a compra da aeronave foi concluída em março de 2023 pela empresa Fraction 024. A firma é presidida por Marcus Vinicius da Mata, sócio de Vorcaro na Prime You Aviation, que assumiu imediatamente a operação do jato executivo, de acordo com os documentos da Anac.

Oferecimento de cotas

Diálogos entre Vorcaro e Marcus Vinicius, que constam em relatório da PF entregue ao ministro André Mendonça, do STF, mostram que o dono do Master pediu a seu sócio na Prime You, em maio de 2025, para disponibilizar o jato Legacy para Viviane. Naquele mês, o escritório Barci de Moraes e a Viking Participações, outra empresa de Vorcaro, negociavam um contrato de “prestação de serviços e de honorários advocatícios” que previa desembolsos de até R$ 50 milhões em um prazo de três anos.

Conforme as mensagens obtidas pela PF, Vorcaro ofereceu cotas desse jato e também de um helicóptero na expectativa de abater 80% do valor do contrato. O escritório dela também foi contratado diretamente pelo Master.

Em 16 de julho de 2025, as mensagens mostram que Vorcaro cobrou Marcus Vinicius sobre o uso dos aviões por Viviane e frisou que havia feito esse pedido “tem três meses”.

“Deixa tudo à disposição. E fica em contato com eles para poderem usar”, pediu Vorcaro.

No mesmo dia, Vorcaro havia entrado em contato com um advogado do Master para relatar a necessidade de fazer um “volume maior” de pagamentos ao escritório de Viviane. As mensagens obtidas pela PF mostram que, naquele mês, o escritório enviou uma “fatura de prestação de serviços” para a Viking, com uma cobrança de R$ 24,3 milhões.

Assinada por Guilherme de Toledo Benazzi, do escritório Barci de Moraes, a fatura menciona um “contrato firmado em 13/05/2025”. No dia em que recebeu o documento, Vorcaro questionou o advogado do Master se já havia sido feita a “troca do contrato” com o escritório de Viviane. Recebeu a resposta de que “Guilherme está conferindo com a chefe se vão adotar uma estrutura diferente para a propriedade do ativos”, em referência às aeronaves.

A minuta desse segundo contrato veio à tona após Mendonça levantar o sigilo do relatório da PF, encaminhado ao plenário para decidir se abre investigação contra Moraes. Até então, só se sabia de um contrato assinado no início de 2024, que vigorou até novembro de 2025, no qual o próprio Master pagava R$ 3,6 milhões mensais ao escritório Barci de Moraes, totalizando R$ 80 milhões no período. Benazzi também consta como representante do escritório nesse contrato.

Já o segundo contrato, que envolvia a cessão das aeronaves, não aparece assinado no material obtido pela PF. Embora o vídeo e as conversas no celular de Vorcaro mostrem que Moraes e sua mulher usaram o jato oferecido pelo banqueiro, a fatura também aponta que o escritório de advocacia cobrava pagamentos adicionais do dono do Master.

Além do jato, Vorcaro ofereceu um helicóptero EC 155 B1 da Eurocopter France, operado pela Prime Aviation. Não há registros públicos do valor pago por esse helicóptero, mas outros documentos da Anac mostram que a Prime Aviation adquiriu outra aeronave do mesmo modelo, em 2020, por R$ 15,8 milhões.

Em nota, o escritório Barci de Moraes afirmou ter “contratado serviços de táxi aéreo de diferentes empresas, entre elas a Prime Aviation”, e negou ter adquirido cotas de aeronaves da empresa.

O escritório de Viviane negou ainda ter aceitado qualquer proposta de “transferência ou substituição do contrato” original com o Master, firmado em 2024.

“A proposta do Banco Master não foi aceita, nada foi assinado e o contrato original foi extinto com a liquidação do banco, o que encerrou qualquer vínculo com a instituição”, diz a nota do escritório.

Já Moraes, em sua defesa enviada ao STF após a revelação de mensagens trocadas com Vorcaro, alegou que o escritório de Viviane não tinha “nenhum outro vínculo” com o Master ou com “empresas relacionadas” ao banco. (Com informações do jornal O Globo)

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O avião do banqueiro Daniel Vorcaro utilizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi adquirido por R$ 74,2 milhões por uma empresa ligada ao dono do Master, conforme dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

No domingo (20), o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, revelou um vídeo que mostra o ministro e sua mulher, Viviane Barci de Moraes, desembarcando do jato executivo Legacy, de matrícula PP-NLR, no Aeroporto Santos Dumont, no Rio, em agosto do ano passado. O jato foi uma das duas aeronaves oferecidas por Vorcaro a Viviane na tentativa de abater o volume de pagamentos que fazia ao escritório de advocacia dela, conforme mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF) no celular do banqueiro.

A certidão de propriedade e ônus reais do avião, emitida pela Anac, mostra que a compra da aeronave foi concluída em março de 2023 pela empresa Fraction 024. A firma é presidida por Marcus Vinicius da Mata, sócio de Vorcaro na Prime You Aviation, que assumiu imediatamente a operação do jato executivo, de acordo com os documentos da Anac.

Oferecimento de cotas

Diálogos entre Vorcaro e Marcus Vinicius, que constam em relatório da PF entregue ao ministro André Mendonça, do STF, mostram que o dono do Master pediu a seu sócio na Prime You, em maio de 2025, para disponibilizar o jato Legacy para Viviane. Naquele mês, o escritório Barci de Moraes e a Viking Participações, outra empresa de Vorcaro, negociavam um contrato de “prestação de serviços e de honorários advocatícios” que previa desembolsos de até R$ 50 milhões em um prazo de três anos.

Conforme as mensagens obtidas pela PF, Vorcaro ofereceu cotas desse jato e também de um helicóptero na expectativa de abater 80% do valor do contrato. O escritório dela também foi contratado diretamente pelo Master.

Em 16 de julho de 2025, as mensagens mostram que Vorcaro cobrou Marcus Vinicius sobre o uso dos aviões por Viviane e frisou que havia feito esse pedido “tem três meses”.

“Deixa tudo à disposição. E fica em contato com eles para poderem usar”, pediu Vorcaro.

No mesmo dia, Vorcaro havia entrado em contato com um advogado do Master para relatar a necessidade de fazer um “volume maior” de pagamentos ao escritório de Viviane. As mensagens obtidas pela PF mostram que, naquele mês, o escritório enviou uma “fatura de prestação de serviços” para a Viking, com uma cobrança de R$ 24,3 milhões.

Assinada por Guilherme de Toledo Benazzi, do escritório Barci de Moraes, a fatura menciona um “contrato firmado em 13/05/2025”. No dia em que recebeu o documento, Vorcaro questionou o advogado do Master se já havia sido feita a “troca do contrato” com o escritório de Viviane. Recebeu a resposta de que “Guilherme está conferindo com a chefe se vão adotar uma estrutura diferente para a propriedade do ativos”, em referência às aeronaves.

A minuta desse segundo contrato veio à tona após Mendonça levantar o sigilo do relatório da PF, encaminhado ao plenário para decidir se abre investigação contra Moraes. Até então, só se sabia de um contrato assinado no início de 2024, que vigorou até novembro de 2025, no qual o próprio Master pagava R$ 3,6 milhões mensais ao escritório Barci de Moraes, totalizando R$ 80 milhões no período. Benazzi também consta como representante do escritório nesse contrato.

Já o segundo contrato, que envolvia a cessão das aeronaves, não aparece assinado no material obtido pela PF. Embora o vídeo e as conversas no celular de Vorcaro mostrem que Moraes e sua mulher usaram o jato oferecido pelo banqueiro, a fatura também aponta que o escritório de advocacia cobrava pagamentos adicionais do dono do Master.

Além do jato, Vorcaro ofereceu um helicóptero EC 155 B1 da Eurocopter France, operado pela Prime Aviation. Não há registros públicos do valor pago por esse helicóptero, mas outros documentos da Anac mostram que a Prime Aviation adquiriu outra aeronave do mesmo modelo, em 2020, por R$ 15,8 milhões.

Em nota, o escritório Barci de Moraes afirmou ter “contratado serviços de táxi aéreo de diferentes empresas, entre elas a Prime Aviation”, e negou ter adquirido cotas de aeronaves da empresa.

O escritório de Viviane negou ainda ter aceitado qualquer proposta de “transferência ou substituição do contrato” original com o Master, firmado em 2024.

“A proposta do Banco Master não foi aceita, nada foi assinado e o contrato original foi extinto com a liquidação do banco, o que encerrou qualquer vínculo com a instituição”, diz a nota do escritório.

Já Moraes, em sua defesa enviada ao STF após a revelação de mensagens trocadas com Vorcaro, alegou que o escritório de Viviane não tinha “nenhum outro vínculo” com o Master ou com “empresas relacionadas” ao banco. (Com informações do jornal O Globo)

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