Domingo, 21 de Junho de 2026

Home Rio Grande do Sul Justiça determina prisão preventiva de casal investigado por morte de criança sob tortura na Serra Gaúcha

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A Justiça do Rio Grande do Sul determinou a prisão preventiva do casal investigado por tortura que resultou na morte de uma menina de 10 anos, no município de Canela. Natural do Suriname (país fronteiriço com a Região Norte do País), a criança vivia desde dezembro sob guarda provisória dos padrinhos, imigrantes do Estado do Pará e residentes na cidade da Serra Gaúcha desde o ano 2000.

Na manhã da quinta-feira passada (18), a garota foi atendida no setor de emergência de um hospital local por apresentar quadro intenso de desidratação e hipoglicemia (baixos níveis de glicose na corrente sanguínea), além de dores abdominais e sinais indicativos de agressão em diferentes partes do corpo – fato informado pela própria menor antes de perder a consciência e acabar sucumbindo a uma parada cardiorrespiratória.

As condições gerais constatadas na paciente motivaram a equipe médica a emitir alerta à Brigada Militar (BM), que deteve em flagrante o homem e a mulher suspeitos. O caso prossegue sob apuração da Polícia Civil e tramita sob segredo por determinação judicial, impedindo assim a divulgação de detalhes adicionais ao público.

O sigilo é motivado pelo fato de o crime envolver vítima menor de idade e também pela necessidade de se preservar informações, em um caso ainda em fase de coleta e análise de provas e depoimentos. Para os próximos dias, os investigadores aguardam a conclusão da perícia realizada no corpo da menina pelo Departamento Médico-Legal (DML), vinculado ao Instituto-Geral de Perícias (IGP).

Juíza ressalta gravidade do caso

Ao assinar a ordem de prisão preventiva, horas após o registro do incidente com desfecho fatal, a titular da 2ª Vara Judicial da Comarca de Canela, Simone Ribeiro Chalela, justificou a medida com base em aspectos como a gravidade do episódio e a fragilidade da vítima.

“Com base na análise inicial de documentos médicos, registros hospitalares e depoimentos dos profissionais que atenderam a menina, a autoridade policial entendeu haver indícios suficientes para autuar o casal em flagrante por suspeita do crime de tortura com resultado morte”, sublinhou.

No mesmo documento é ressatlada “a gravidade concreta dos fatos, aliada à especial condição de vulnerabilidade da criança e ao dever de proteção que recaía sobre os investigados, revela acentuada reprovabilidade da conduta e reforça a necessidade de resguardar a ordem pública e a adequada persecução penal”.

(Marcello Campos)

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