Segunda-feira, 29 de Junho de 2026

Home Mundo Keiko Fujimori é eleita presidente do Peru após 22 dias de apuração

Compartilhe esta notícia:

A candidata Keiko Fujimori, do partido Força Popular, foi declarada presidente eleita do Peru nesta segunda-feira (29), com 50,135% dos votos, após o fim de uma longa apuração eleitoral. Com uma vantagem de pouco mais de 49 mil votos, a filha do ex-presidente Alberto Fujimori venceu a disputa depois de três tentativas frustradas, em 2011, 2016 e 2021, conforme confirmou a Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE). O candidato de esquerda Roberto Sánchez, da coligação Juntos pelo Peru e considerado herdeiro político do ex-presidente Pedro Castillo, terminou a eleição com 49,865% dos votos.

A apuração do segundo turno durou 22 dias e foi marcada por um processo eleitoral conturbado, com acusações de fraude, problemas logísticos e questionamentos sobre a lisura da votação.

Com 99,86% das urnas apuradas, Keiko Fujimori somava 50,12% dos votos, uma vantagem superior a 43 mil votos sobre Roberto Sánchez, margem considerada irreversível pelas autoridades eleitorais.

Aos 51 anos, Keiko disputou um segundo turno apertado realizado em 7 de junho, sob a influência da ainda controversa herança política de seu pai, que governou o Peru durante a década de 1990. Em um país marcado pela instabilidade política e que teve oito presidentes desde 2016, ela chega ao cargo com um sobrenome amplamente conhecido pelos eleitores.

“É uma ‘marca’ que está bem posicionada, gostem ou não”, afirmou o cientista político Jorge Aragón.

Formada em Administração nos Estados Unidos, Keiko foi parlamentar, liderou o partido Força Popular e construiu sua trajetória política desde cedo. Aos 19 anos, tornou-se primeira-dama após sua mãe romper publicamente com Alberto Fujimori, passando a acompanhar o pai em compromissos oficiais e encontros com líderes internacionais.

Dinastia política

Alberto Fujimori governou o Peru durante a década de 1990, período em que combateu a guerrilha do Sendero Luminoso e controlou a hiperinflação. Posteriormente, porém, foi condenado por corrupção e crimes contra a humanidade. Ao longo dos anos, o sobrenome Fujimori garantiu a Keiko reconhecimento nacional, uma base fiel de eleitores e influência política, mas também forte rejeição entre parte da população.

“Sinto falta dele”, disse Keiko em abril. “Mas, por onde passo, as pessoas me lembram dele e me contam histórias.”

Milhões de peruanos, entretanto, associam o sobrenome Fujimori às violações ocorridas durante o governo de Alberto, fator que contribuiu para derrotas anteriores de Keiko na disputa pela Presidência.

“Nos últimos 25 anos, fomos governados por governos anti-Fujimori”, afirmou durante a campanha, fazendo exceção apenas ao governo de Alan García. “Todos os outros se concentraram em insultos e em gerar ódio e divisão entre os peruanos.”

Críticos responsabilizam Keiko e o partido Força Popular por parte da instabilidade política vivida pelo Peru nos últimos anos, citando a forte influência e as articulações da legenda no Congresso.

Esta foi a primeira campanha presidencial de Keiko sem a presença do pai, que morreu em 2024. Com a criminalidade apontada como a principal preocupação dos eleitores, ela concentrou sua campanha no discurso de restauração da segurança pública, resumido em uma única palavra: “ordem”.

“Acredito que os peruanos querem um Fujimori”, afirmou durante a campanha. “Aqui estou.”

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Mundo

Jornais “cornetam” Brasil após virada contra o Japão na Copa: “Foi graças à camisa”
Dólar fecha a R$ 5,17 e Bolsa brasileira recua com atenção ao cenário externo
Deixe seu comentário
Baixe o app da RÁDIO Pampa App Store Google Play
Ocultar
Fechar
Clique no botão acima para ouvir ao vivo
Volume

No Ar: Programa Pampa News