Quarta-feira, 19 de Junho de 2024

Home Rio Grande do Sul Leptospirose causa a quinta morte desde o início das enchentes no RS. Ambiente é de proliferação da doença

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A inclusão de mais um registro, nessa segunda-feira (27), ampliou para cinco o número de mortes por leptospirose em menos de um mês de enchentes no Rio Grande do Sul. De acordo com a Secretaria Estadual da Saúde (SES), a vítima mais recente ocorreu em Viamão (Região Metropolitana de Porto Alegre). Idade, gênero e outras informações não foram detalhadas.

Na lista de falecimentos anteriores constam quatro homens, com idades entre 33, 50, 56 e 67 anos. Eles residiam, respectivamente, em Venâncio Aires (Vale do Rio Pardo), Porto Alegre, Cachoeirinha (Região Metropolitana da Capital) e Travesseiro (Vale do Taquari).

Outros nove óbitos têm a sua causa sob investigação. Já os testes positivos chegam a 124, ao passo que os casos suspeitos totalizam 922 até o momento. A estatística pode ser conferida diariamente no site saude.rs.gov.br, página “Leptospirose”.

A doença já estava presente no Rio Grande do Sul antes da catástrofe climática deste mês. Dados oficiais apontam 129 casos e seis mortes entre janeiro e abril deste ano, ao passo que 2023 teve 477 testes positivos e 25 desfechos fatais.

Saiba mais

A leptospirose é uma doença infecciosa febril aguda, causada por contato direto ou indireto com uma bactéria presente na urina de animais contaminados (sobretudo ratos). Água ou lama em áreas de enchente são alguns dos vetores, sobretudo por meio de mucosas (boca, nariz, ânus), olhos ou pele com lesões. Também infecta indivíduos sem ferimentos mas que permanecem imersos durante longos períodos em água contaminada.

O período de incubação (intervalo entre a transmissão e o início das manifestações dos primeiros sintomas) pode variar de um a 30 dias. Normalmente, esse processo se dá entre 7 e 14 dias.

Principais sintomas na fase inicial: febre igual ou maior que 38ºC, dor na região lombar ou panturrilha, dor de cabeça e conjuntivite. Em estágio avançado da doença, pode ocorrer tosse, hemorragias e insuficiência renal.

A doença apresenta elevada incidência em determinadas áreas além do risco de letalidade, que pode chegar a 40% nos casos mais graves. Sua ocorrência está relacionada às condições precárias de infraestrutura sanitária e alta infestação de roedores infectados.

Inundações propiciam a disseminação e persistência da bactéria no ambiente, facilitando a ocorrência de surtos. Tal aspecto tem motivado alertas no Rio Grande do Sul, devido às enormes extensões de áreas alagadas nas quais têm circulado desabrigados, socorristas e outros voluntários. Também há risco durante os trabalhos de retirada da lama: recomenda-se o uso de luvas e botas impermeáveis.

Tratamento

O tratamento com o uso de antibióticos deve ser iniciado no momento da suspeita. Para os casos leves, o atendimento é ambulatorial, ao passo que as situações mais graves a hospitalização deve ser imediata, a fim de evitar complicações potencialmente letais.

“A automedicação não é indicada”, ressalta o Ministério. “Ao suspeitar da doença, deve ser procurado um serviço de saúde e relatado o contato com ambiente de risco. Na fase precoce são utilizados Doxiciclina ou Amoxicilina, já em casos avançados, são ministrados Penicilina, Ampicilina, Ceftriaxona ou Cefotaxima.

Nos locais que tenham sido invadidos por água de chuva, recomenda-se fazer a desinfecção do ambiente com água sanitária (hipoclorito de sódio a 2,5%), na proporção de um copo de água sanitária para um balde de 20 litros de água.

Outras medidas de prevenção são: manter os alimentos guardados em recipientes bem fechados, manter a cozinha limpa sem restos de alimentos e retirar as sobras de alimentos ou ração de animais domésticos antes do anoitecer. Além disso, manter o terreno limpo e evitar entulhos e acúmulo de objetos nos quintais são medidas que ajudam a evitar a presença de roedores. Luz solar também ajuda a matar a bactéria.

(Marcello Campos)

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