Domingo, 12 de Abril de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 11 de abril de 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei que regulamenta a licença-paternidade no Brasil e prevê a ampliação gradual do afastamento, dos atuais cinco dias para até 20 dias em 2029. O texto, aprovado pela Câmara no fim do ano passado e pelo Senado no início deste mês, aumenta o número de dias concedidos a pais a título de licença remunerada para o trabalhador do sexo masculino que acaba de ter um filho, natural ou adotado.
O tema é abordado de forma diferente entre nações pelo mundo. Há aquelas que oferecem o benefício de forma igualitária para homens e mulheres, como a Suécia e a Nova Zelândia. Em países latino-americanos como o Chile, no entanto, o tempo de licença reservado para os pais é de apenas uma semana.
No Brasil, a licença-paternidade até então tinha duração de apenas cinco dias corridos em casos de nascimento de filho, adoção ou guarda compartilhada. Com a sanção, o país se junta a outros que reconhecem o direito de homens ficarem fora do trabalho nos primeiros dias após ter um filho.
De acordo com um levantamento de 2024 da Divisão de Políticas Sociais da OCDE, que mostra um panorama de como funcionam as licenças parentais nos países da organização que reúne economias desenvolvidas e da União Europeia, apenas quatro integrantes dos blocos oferecem o direito de forma igualitária para pais e mães.
São eles a Nova Zelândia, Austrália, Islândia e Suécia. Confira abaixo como funciona o direito em alguns dos outros países que aparecem no relatório.
Suécia
Na Suécia, ambos os responsáveis têm direito, conjuntamente, a 480 dias de licença parental. A remuneração é paga a partir do momento do nascimento ou da adoção de uma criança.
Cada um dos responsáveis — se forem dois — tem direito a 240 dias de afastamento do trabalho. Desse tempo, 90 dias são uma cota individual reservada, enquanto o restante dos dias de cada um pode ser transferido para o outro progenitor. O pai e a mãe podem tirar até 30 dias ao mesmo tempo.
No entanto, é importante observar que a remuneração não é integral. Varia dependendo do período da licença, sendo maior nos primeiros 390 dias (dos 480) e menor nos últimos 90.
Nova Zelândia
A Nova Zelândia também está entre os países que oferecem a licença de forma igualitária para pais e mães. Lá, a licença parental remunerada é dada ao cuidador principal, que pode ser o pai ou a mãe, e é permitida em um período de até 26 semanas (182 dias ou 6 meses).
O benefício pode ser transferido entre os parceiros, mas só pode ser usado por um dos dois por vez. O pai, se não for o cuidador principal, ainda teria direito à sua licença-paternidade estatutária de 1 ou 2 semanas, que, na Nova Zelândia, é não remunerada.
Estados Unidos
No país mais rico do mundo não existe uma licença parental remunerada em nível federal. A legislação nacional garante apenas até 12 semanas de afastamento não remunerado após o nascimento ou adoção de um filho, com proteção do emprego.
Esse direito vale para trabalhadores de empresas com mais de 50 funcionários e que tenham pelo menos um ano de vínculo. Portanto, pais devem se preparar financeiramente para os primeiros meses de um filho.
Alguns estados e cidades dos EUA porém, criaram seus próprios programas de licença familiar remunerada, que também contemplam os pais. Neles, homens e mulheres podem se afastar para cuidar de um recém-nascido, recém-adotado ou de um familiar doente, recebendo uma parte do salário (geralmente entre 60% e 90%) por 6 a 12 semanas.
Entre os estados que já oferecem esse benefício estão Califórnia, Nova York, Nova Jersey, Rhode Island, Washington, Massachusetts, Connecticut, Oregon e Colorado, além do Distrito de Columbia.
Chile
O Chile possui um número de dias reservados especialmente para os homens que têm filhos mais próximo do previsto no Brasil. No entanto, esses dias podem ser ampliados, caso a licença parental seja compartilhada.
Funciona assim: as mães podem ter um total de 30 semanas de licença remunerada, que começam a contar em seis semanas antes do parto, e mais 12 semanas após o parto, que podem se somar ainda a mais 12 semanas adicionais de licença parental. Com informações do portal O Globo.