Sexta-feira, 12 de Junho de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 11 de junho de 2026
A Polícia Civil gaúcha deflagrou nessa quinta-feira (11) uma megaoperação contra organização criminosa especializada em tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Dentre os alvos está um detento que havia sido flagrado em escuta telefônica ao ligar de dentro da Cadeia Pública de Porto Alegre para um açougue, pedindo entrega de picanha para churrasco.
Com auxílio de autoridades de outros Estados, foram cumpridas 53 ordens de prisão e mais de 100 mandados de busca, apreensão, bloqueios de contas e bens. Foram percorridos dezenas de endereços residenciais,, empresariais e penitenciários em cidades do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul.
Os municípios gaúchos abrangidos pela ofensiva são Porto Alegre, Canoas, Cachoeirinha, Eldorado do Sul, Gravataí, Nova Santa Rita, Arroio dos Ratos, Charqueadas, Passo Fundo, Caxias do Sul, Farroupilha e Santa Maria. Em Santa Catarina, a lista inclui Florianópolis, Palhoça, São José, Lauro Müller, Balneário Rincão e Criciúma, ao passo que no Paraná os agentes estiveram em Piraquara e. Ao todo, atuaram na ofensiva 250 agentes gaúchos e 50 catarinenses. Não foi informado o foco da operação no Mato Grosso do Sul.
Intitulada “Apakani” (águia, no idioma indígena guarani), a operação se dá no âmbito de uma mobilização nacional coordenada pela Diretoria de Operações Integradas e de Inteligência da Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça e Segurança Pública. A iniciativa nacional envolve investigação, ações de inteligência, cumprimento de mandados, prisões, apreensões e medidas de descapitalização patrimonial.
Logística complexa
A atuação do grupo está na mira da corporação desde 2023. Na época, a apreensão de 1,3 tonelada de maconha em Canoas (Região Metropolitana da Capital) revelou um amplo esquema de distribuição de cocaína e crack, em uma logística que incluía uso de casas alugadas em bairros nobres como locais para depósito dos entorpecentes. Em cerca de 18 meses, o negócio movimentou ao menos R$ 21 milhões.
“O modus operandi consistia na lavagem de capitais por meio do sistema financeiro e na inserção de ativos ilícitos na economia formal, especialmente mediante aquisição de veículos, circulação de valores em espécie, integração e mescla de capital espúrio em empresas reais, de fachada e fantasmas”, detalha a Polícia Civil gaúcha.
A movimentação bancária eram realizadas por meio de dissimulações estruturadas, pulverizações, fracionamentos, triangulações, uso de contas de terceiros, contas de passagem, depósitos e saques rápidos, casas lotéricas e caixas eletrônicos. Os valores circulavam entre líderes, gerentes, operadores de outras cidades vinculados ao narcotráfico em larga escala e outros comparsas.
Ainda de acordo com a corporação, “a complexidade e a sofisticação das dissimulações também envolveram 21 empresas detectadas como operadoras do esquema após análises financeiras, telemáticas e patrimoniais, evidenciando conexões interestaduais entre organizações criminosas por meio de pessoas físicas e jurídicas”.
(Marcello Campos)
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