Quarta-feira, 28 de Outubro de 2026

Home Política Lula diz que Flávio deve ter “culpa na consciência”

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nessa terça-feira (27) a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil após a derrota no segundo turno das eleições presidenciais. Segundo Lula, o adversário deveria permanecer no país para demonstrar que não tem nada a temer. O senador chegou aos Estados Unidos acompanhado da esposa e das filhas, segundo informações divulgadas pela imprensa e confirmadas por fontes ligadas ao governo americano.

Durante um evento em comemoração ao seu aniversário de 81 anos, realizado no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República, Lula afirmou que ficou no Brasil mesmo depois de perder disputas eleitorais e enfrentar acusações judiciais.

“Eu estou sabendo agora que o meu adversário foi embora, não sei. Não tenho informações precisas”, declarou o presidente, antes de comparar a situação à sua própria trajetória política. Lula lembrou que perdeu eleições para Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso e que Geraldo Alckmin e José Serra também permaneceram no país após serem derrotados por ele.

“Fico imaginando que culpa tem na consciência um cidadão que acaba de perder as eleições e foge do seu país”, afirmou. O presidente também mencionou que, quando foi acusado, recebeu convites para deixar o Brasil, mas decidiu permanecer e se entregar à Polícia Federal.

Lula criticou ainda o fato de Flávio não ter entregue os passaportes, conforme determinação judicial. “Quando pediram para eu entregar meu passaporte eu entreguei. Ele deveria ter entregue. Mas lamentavelmente a família Bolsonaro é isso. O Brasil é a segunda pátria dele. A primeira é lamber-botas dos EUA”, afirmou.

O presidente também acusou Flávio de não ter demonstrado compromisso com a verdade e classificou sua saída do País como vergonhosa.

A viagem do senador ganhou novos contornos nessa terça. De acordo com informações publicadas pelo UOL e confirmadas por fontes ligadas ao governo americano, Flávio Bolsonaro chegou aos Estados Unidos com a esposa e as duas filhas. O Departamento de Estado americano informou que concederá vistos aos familiares e permitirá a entrada deles no país.

O trajeto utilizado pelo senador para deixar o Brasil não foi esclarecido publicamente. Mais cedo, o jornal argentino Infobae havia noticiado que ele teria cruzado a fronteira em direção a Puerto Iguazú, na Argentina, de onde seguiria para os Estados Unidos em um avião particular. Entretanto, a rota exata não foi confirmada, e autoridades argentinas informaram inicialmente que não havia registro de entrada do senador no país.

A saída ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar que Flávio entregasse seus passaportes e não deixasse o território brasileiro. O prazo para cumprir a ordem terminou às 11h dessa terça, mas o senador não apresentou os documentos. Em razão do descumprimento, a Polícia Federal comunicou o caso ao ministro e cancelou os passaportes brasileiros do parlamentar em seu sistema.

Apesar do descumprimento da determinação judicial, Flávio não pode ser considerado foragido apenas por esse motivo, uma vez que não havia mandado de prisão contra ele, segundo informações divulgadas pela imprensa.

Investigações

No pedido encaminhado ao STF, a Polícia Federal apontou riscos concretos de que Flávio deixasse o Brasil. Entre os fatores considerados estavam declarações públicas de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, que teria defendido sua saída do país em caso de derrota eleitoral, além dos recursos financeiros da família e da existência de estruturas no exterior que poderiam facilitar uma permanência prolongada.

A PF também mencionou a situação do advogado Willer Tomaz, investigado em um caso que envolve suspeitas de lavagem de dinheiro e relações com Flávio Bolsonaro. Tomaz está nos Estados Unidos desde agosto de 2026, após ser alvo da Operação Sem Desconto.

Outro ponto citado pelas autoridades envolve suspeitas ainda em apuração sobre possíveis recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro destinados à manutenção da estrutura de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O deputado cassado vive no país desde fevereiro de 2025. A eventual utilização desses recursos para custear sua permanência no exterior não está comprovada.

Flávio também é investigado em um inquérito sobre possíveis irregularidades no financiamento de um filme relacionado à trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. O caso tramita no STF, assim como a investigação envolvendo o advogado Willer Tomaz. (Com informações do portal g1)

 

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