Quarta-feira, 06 de Maio de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 19 de agosto de 2023
A incompatibilidade entre a demanda do PP para entrar no governo Lula e a disposição do presidente em ceder pastas de destaque travou, mais uma vez, a reforma ministerial. Diante do impasse, interlocutores do Planalto já avaliam que a dança nas cadeiras da Esplanada pode ficar só para depois da votação do arcabouço fiscal na Câmara, prevista para a semana que vem, e da volta do presidente da viagem à África do Sul. Segundo apurou a Coluna, Lula mandou avisar que não vai mesmo entregar o Ministério do Desenvolvimento Social ao deputado André Fufuca (PP-MA), nem mesmo sem o controle do Bolsa Família. E o PP não quer saber de outra pasta. Resultado: não há fumaça branca à vista.
Diante da negativa sobre o MDS, agora o sonho de consumo do Centrão, uma contraproposta ventilada foi entregar a Fufuca o Ministério de Ciência e Tecnologia, hoje com Luciana Santos (PCdoB). O acordo traria ainda o comando da Caixa, com todas as vice-presidências. Para o governo, o banco público vale mais que muitos ministérios.
Nessa proposta, Luciana Santos seguiria para o Ministério das Mulheres e Cida Gonçalves perderia o cargo. A primeira dama Janja resiste fortemente à saída, que reduz ainda mais a participação feminina no primeiro escalão. Mesmo assim, Lula tem dado sinais de que prefere rifar uma mulher a Wellington Dias.
A outra ponta da reforma ministerial, ao menos, está um pouco mais azeitada. O deputado Silvio Costa Filho (Republicanos-PE) deve assumir o Ministério de Portos e Aeroportos, um desenho que agrada à legenda.
Márcio França seria deslocado para Ciência e Tecnologia, caso o PP não aceite a pasta, ou para o Ministério da Micro e Pequena Empresa, que teria de ser criado. O ministro conversou sobre as hipóteses em jantar reservado com o vice-presidente Geraldo Alckmin, seu correligionário e aliado de décadas.