Terça-feira, 22 de Setembro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 21 de setembro de 2026
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), candidata à reeleição, acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de cometer “crime contra o sistema financeiro” após o petista afirmar que não destinará recursos federais para resgatar o Banco de Brasília (BRB). Em sabatina realizada pelos jornais Valor e O Globo e pela Rádio CBN, ela disse que protocolará uma ação na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e buscou se distanciar dos escândalos envolvendo a operação com o Banco Master.
Celina afirmou que nunca soube das ilegalidades do acordo, criticou o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) e justificou o atraso no envio do balanço financeiro como uma “estratégia técnica” enquanto negocia empréstimos.
Ao abordar a fala de Lula, ela acusou o governo federal de negligência proposital. “Lula se esqueceu do seu papel na defesa de um banco público”, afirmou. “Quando o presidente fala, ele mexe na liquidez do banco.”
Em evento eleitoral na Ceilândia, cidade satélite de Brasília, Lula afirmou que não vai “dar dinheiro para o BRB”. Segundo ele, Celina quer repassar a responsabilidade para o governador federal “de forma cínica e mentirosa”. “Quem quebrou (o banco) foi a ligação do Ibaneis com o (ex-banqueiro do Master) Vorcaro”, disse o petista.
Pela fala, Celina prometeu protocolar uma ação na CVM. “É crime contra o sistema financeiro. Estamos com uma ACO (Ação Cível Originária) com um banco que está em recuperação, e ele age no descrédito deste banco, é crise de liquidez.”
O governo do DF tenta articular com o Executivo federal um empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A fiança seria oferecida por um sindicato de bancos S1 (os maiores do país, públicos e privados), e as verbas que o ente federativo recebe do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) seriam usadas como contragarantia. A União não seria avalista da operação.
É nesta tratativa que Celina acusa Lula de boicote. “Se ele quisesse (recuperar o banco), ele faria”, disse, acusando o presidente de impedir ajudas da Caixa e do Banco do Brasil. “Eles (governo federal) têm nos enrolado faz seis meses.”
O governo federal, por sua vez, diz permanecer disposto a colaborar com as negociações, desde que preservados os termos do acordo fechado com o Supremo Tribunal Federal (STF), que o livra do aval financeiro.
A campanha de Lula disse que ele “tem o dever de proteger o dinheiro público” e o que pertence aos brasileiros “não será colocado em risco enquanto o governo do DF se recusar a mostrar as contas do banco que controla”. Frisou ainda que Celina assinou o acordo no STF e “agora que a solução não se sustentou, tenta reescrever a história”. “Os próprios bancos privados já recusaram a operação, porque o BRB não apresenta relatórios confiáveis sobre a própria situação. Seria irresponsável que o presidente aceitasse ser fiador daquilo que o mercado rejeitou”, disse em nota.
Durante a sabatina, Celina negou saber das ilegalidades envolvendo o Master. Vice-governadora na época da operação, ela disse ter sido contra a negociação de Ibaneis e afirmou que nunca confiou no ex-presidente do BRB. “Paulo Henrique não estaria no meu governo. Eu achava ele longe da realidade do Distrito Federal”, disse. A diretoria do banco foi afastada em abril, após o caso ser revelado.
A candidata negou conhecer Vorcaro. Segundo ela, as mensagens em que o ex-banqueiro diz que a governadora sabia da negociação “foram tiradas de contexto”. “O conhecimento que ele fala que eu tive ou deixei de ter não é verdadeiro”, completou.
Ela defendeu ainda seu atual vice na candidatura, Gustavo Rocha, ex-secretário da Casa Civil de Ibaneis durante a operação. Segundo ela, Rocha tinha informações limitadas sobre o negócio entre Master e BRB.
Celina, no entanto, não poupou o ex-governador e disse que não saberia responder sobre sua idoneidade. “O Ibaneis errou muito na parte econômica quando deixou gente que eu acho que não tinha condição técnica de tocar o governo”, declarou. À Polícia Federal, Vorcaro disse que conversou Ibaneis em algumas ocasiões e que recebeu o então governador em sua casa.
Ainda sobre o BRB, a governadora justificou não ter publicado o balanço financeiro de 2025 pela tentativa de um acordo para salvar o banco. A publicação estava prevista para 31 de março. “É melhor publicar depois por causa do empréstimo”, afirmou. “Eu pago multas por não publicar o balanço.” (Com informações do Valor Econômico)