Terça-feira, 18 de Agosto de 2026

Home Política Lulinha orientou a sua amiga Roberta Luchsinger a emitir nota para cobrar empresário investigado pela Polícia Federal

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Mensagens em posse da Polícia Federal (PF) revelam que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, orientou a lobista Roberta Luchsinger a emitir uma nota fiscal para cobrar do empresário Cleber Ribas, dono da 3Structure It Ltda. O empresário ganhou mais de R$ 80 milhões em contratos com o governo federal, especialmente durante o governo Lula.

Cleber Ribas é investigado pela PF no mesmo inquérito que apura corrupção e tráfico de influência envolvendo o filho do presidente da República. O empresário pagou pelo menos R$ 150 mil a Roberta Luchsinger para “prospecção de clientes”.

As mensagens revelam que a relação entre Lulinha e Roberta Luchsinger vai além de uma simples amizade. O filho do presidente não somente sabia da atuação e dos interesses da lobista, como também a orientava e participava de reuniões junto ao núcleo duro do gabinete do presidente Lula.

No dia 24 de julho de 2023, Lulinha solicita a Roberta que ela convide Carlos Eduardo Gabas, ex-ministro da Previdência, para se dirigir à Praia do Forte, na Bahia. “Aqui todo mundo”, diz o filho do presidente. “Pronto, já falei com Fernando, com contador, com governador, com secretários, com todo mundo”, responde a lobista. Em seguida, Lulinha orienta a amiga a emitir uma nota fiscal para Cleber Ribas. “Emite a NF pro Cleber”, diz. “Já fiz”, responde Roberta. “Boaaaaa”, comemora Lulinha.

O relatório da PF narra ainda que, dias depois, Cleber Ribas solicitou a Roberta uma reunião com Lulinha, em 31 de maio de 2023. Em seguida, ele informa que Rodrigo Assumpção assumiu como novo presidente da Dataprev.

Os inquéritos contra Lulinha foram autorizados pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e Flávio Dino e investigam, entre outros pontos, a relação do filho do presidente com empresários e sua suposta atuação em órgãos do governo federal.

Em uma outra conversa revelada nessa segunda-feira (17), Roberta afirma que ela e Lulinha trabalham em um nível diferenciado e diz que o futuro deles é a Suíça. Na mesma ocasião, o filho do presidente da República menciona reuniões com Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, então chefe de gabinete de Lula, e Swedenberger Barbosa, conhecido como Berger, que ocupava a Secretaria-Executiva do Ministério da Saúde.

Marcola era um dos principais assessores de Lula, despachava na antessala do presidente e mantinha interlocução com integrantes do governo. Berger, por sua vez, foi quem abriu as portas do Ministério da Saúde para o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, vulgo Careca do INSS, que enviou repasses que somam R$ 1,5 milhão a Roberta Luchsinger. Em uma das transferências, o Careca afirmou a um interlocutor que o dinheiro era para “o filho do rapaz”.

Roberta Luchsinger, segundo a PF, pagava contas e dava presentes a Marcola. Mensagens obtidas pela coluna mostram que ela discutiu com o então assessor a compra de um par de solitários e um colar de diamantes. Segundo interlocutores da defesa de Marcola, as joias custaram R$ 9,2 mil e integravam um empréstimo de R$ 249 mil feito pelo ex-assessor com Roberta, posteriormente pago com juros e correção.

Em nota, a defesa de Lulinha informou que não irá comentar ou validar “fragmentos de informações sigilosas indevidamente divulgadas fora de seu contexto original, de origem e integridade não verificadas e cuja seleção descontextualizada pode ser manipulada para construir narrativas distorcidas da realidade.”

A defesa de Cleber Ribas afirmou que não tem “como comentar supostas mensagens extraídas de arquivos aos quais não teve acesso integral, muito menos eventuais conversas mantidas por terceiros, sem a participação de Cleber Ribas”. “O que a defesa pode afirmar é que Fábio Luís Lula da Silva mantinha uma relação estritamente pessoal com Cleber Ribas, decorrente da amizade entre ambos, sem qualquer vínculo profissional ou comercial”, destacou.

O advogado Roberto Podval, que assumiu a defesa de Roberta Luchsinger, informou que não vai comentar, em razão do sigilo do inquérito. (Com informações do colunista Tácio Lorran, do portal Metrópoles)

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