Sábado, 24 de Outubro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 23 de outubro de 2026
No debate presidencial do último domingo (18), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) trocaram acusações de corrupção. Flávio citou a lobista Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente. Lula, por sua vez, questionou os R$ 134 milhões negociados pelo senador com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, supostamente para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro.
Lula desafiou Flávio a autorizar a abertura dos sigilos bancário e telefônico de ambos e de seus familiares, caso o adversário fizesse o mesmo. Na terça-feira (20), o presidente protocolou a autorização no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Atualmente, Lula não responde a acusações na Justiça. As condenações nos casos do tríplex do Guarujá e do sítio de Atibaia, ligados à Operação Lava-Jato, foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Apesar disso, as investigações envolvendo familiares e pessoas próximas continuam sendo exploradas politicamente.
Lava-Jato
Lula foi acusado de receber benefícios do grupo OAS em um apartamento no Guarujá e de ser favorecido por obras realizadas por empreiteiras em um sítio em Atibaia. Segundo a acusação, os benefícios teriam sido financiados com recursos desviados da Petrobras.
A defesa negou as acusações e argumentou que os imóveis não pertenciam ao ex-presidente e que não havia provas concretas de pagamento das obras com dinheiro desviado.
Em 2021, o STF anulou as condenações por entender que os processos não deveriam ter tramitado na Justiça Federal de Curitiba. A Corte também reconheceu a parcialidade do então juiz Sergio Moro no caso do tríplex, entendimento posteriormente aplicado ao processo do sítio. Com o encerramento dos prazos para punição, Lula não pode mais ser julgado nesses casos.
Operação Zelotes
Lula também foi acusado de tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa em investigação sobre supostas vantagens concedidas a montadoras por meio de uma medida provisória de 2009.
Segundo a acusação, cerca de R$ 6 milhões teriam sido destinados ao financiamento de campanhas do PT. A defesa negou as irregularidades, e Lula foi absolvido pela Justiça Federal em 2021 por falta de provas.
Lulinha
Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, é investigado em inquéritos que apuram suspeitas de tráfico de influência relacionadas a contratos públicos e à atuação de empresários junto ao governo federal.
Uma das investigações envolve Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, suspeito de participar de um esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões. Testemunhas relataram possíveis pagamentos a Lulinha, incluindo R$ 25 milhões e uma suposta mesada de R$ 300 mil. Não há confirmação documental pública desses pagamentos.
Lulinha admitiu ter viajado a Portugal com Antunes em 2024, com despesas pagas pelo empresário, para visitar uma fábrica de cannabis medicinal. Ele nega ter recebido dinheiro e afirma que desconhecia as atividades investigadas do empresário.
A defesa declarou que a inocência de Lulinha será demonstrada no processo. Lula afirmou acreditar na inocência do filho, mas defendeu a apuração dos fatos.
Roberta Luchsinger
A empresária Roberta Moreira Luchsinger, apontada como amiga próxima de Lulinha, também é investigada. A Polícia Federal apura suspeitas de tráfico de influência, intermediação de pagamentos e atuação irregular em negociações com o governo.
Segundo os investigadores, empresas ligadas a Antunes fizeram cinco pagamentos de R$ 300 mil a uma empresa de Roberta, totalizando R$ 1,5 milhão.
Em entrevista à CNN Brasil, ela afirmou estar disposta a negociar uma delação premiada e acusou a Polícia Federal de agir para proteger Lulinha. Também declarou ter prestado serviços a Antunes relacionados à regulamentação do mercado de canabidiol.
Lula chamou a empresária de “pilantra muito grande” e afirmou que o caso deve ser investigado pela Polícia Federal. (Com informações da BBC News Brasil)