Sexta-feira, 14 de Junho de 2024

Home Economia Maior avanço da taxa Selic em quase 20 anos encarece empréstimos e aumenta dívida das famílias

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Mais próxima do bolso do que boa parte das famílias consegue perceber, a Selic remunera os investidores nos títulos do governo negociados no mercado financeiro e compõe as condições nem sempre amigáveis das operações nos bancos e no comércio.

A nova taxa de 7,75% ao ano impacta, de imediato, com aumento das prestações dos financiamentos, de geladeiras a carros e a casa própria, e dos encargos nas compras a prazo por meio dos cartões de crédito ou carnês das lojas. Influencia também os compromissos feitos no cheque especial, entre outras modalidades.

O arrocho promovido pelo Banco Central (BC), que não se via há quase 20 anos, tem ainda gás suficiente para alimentar a inadimplência e engrossar o universo de consumidores no endividamento, sem, no entanto, conter a inflação nos próximos meses, como alertam analistas ouvidos pela reportagem.

Não se imagina redução de preços da gasolina e muito menos das carnes, a despeito da expressiva alta da Selic de 1,5 ponto percentual – ela estava em 6,25% anuais –, alta mais intensa desde 2002.

Com receio e cuidado para não se endividarem sem controle, a assistente administrativa Thais Roberta, de 27 anos, e o noivo, Lucas Tadeu, técnico industrial, de 32, decidiram manter apenas o projeto essencial da casa que eles compraram ainda na planta e esperam receber em dezembro.

“Ficamos um pouco assustados, não estávamos esperando um aumento tão brusco, que, inclusive já vinha ocorrendo nos últimos meses. Além dos juros altos da compra da casa, este ano também houve subida de preços dos materiais de construção”, ressalta Thais. Para conter os gastos, agora o casal decidiu priorizar o mobiliário ao mínimo necessário e a escolha se dará em razão de preço, e não marca de produtos.

A atitude de Thais e Lucas segue as orientações dadas às famílias pelos economistas para tentar melhorar o controle sobre o orçamento. Os juros altos costumam conter os aumentos quando o consumo acelerado e incapaz de ser atendido é o fator de pressão sobre os preços.

Encarecendo o crédito, os juros desestimulam as compras, e atraem quem tem recursos disponíveis para as aplicações financeiras, o que detém os preços em geral, mas não se trata da situação no país, explica o economista André Braz, coordenador dos índices de preços da Fundação Getulio Vargas.

“Mais de 50% da inflação acumulada em 12 meses (de 10,25% até setembro, com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA, o indicador oficial da inflação no Brasil) vem dos reajustes da energia, dos combustíveis e de matérias-primas que ficaram mais caras (da soja ao minério de ferro)”, afirma. Será difícil ver algum efeito dos juros no preço dos combustíveis, uma vez que alta da gasolina, do óleo diesel e do gás de cozinha resulta, sobretudo, do aumento das cotações do petróleo no mercado internacional e da desvalorização do real frente ao dólar.

Todo produto que o País precisa importar mais caro significará pressão sobre os preços internamente, gerando inflação, observa André Braz. Fator adicional, que está fora do controle do governo, e, portanto, do alcance dos juros é o descompasso não só no Brasil, mas no mundo, entre a produção dos derivados do petróleo e a demanda maior gerada pela volta à normalidade da vida da população, depois do período mais restrito imposto pela pandemia de covid-19.

Pelas leis da economia, procura superior à oferta pressiona os preços.

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