Domingo, 28 de Junho de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 28 de junho de 2026
O número de brasileiros que vivem nas ruas, por inúmeros fatores, tem aumentado de forma considerável. Há estudos com base em dados oficiais, como o CadÚnico, que apontam a presença de mais de 380 mil pessoas vivendo em situação de rua no País. São brasileiros que demandam e merecem receber atendimento integral e digno em saúde.
O Ministério da Saúde lançou recentemente a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da População em Situação de Rua (Pnais Rua). Trata-se de uma iniciativa que visa a atender aqueles que são os mais excluídos entre os excluídos. É bem-vinda toda e qualquer política pública que busque socorrer os brasileiros que vivem às margens da cidadania, perambulando pelas ruas e praças Brasil afora sem perspectiva alguma de uma vida digna.
O governo federal acerta ao implementar a Pnais Rua, fortalecendo a gestão tripartite do Sistema Único de Saúde (SUS). Isso quer dizer que a administração federal não está agindo sozinha: a política pública voltada à população em situação de rua será estruturada por meio de parcerias concretas com Estados e municípios. Afinal, esses brasileiros invisíveis não vivem na União.
De um lado, o governo federal vai investir R$ 144 milhões e repassar 400 Unidades Móveis de Rua (UMR) para municípios com mais de 100 mil habitantes ou com mais de 80 habitantes em situação de rua, além do Distrito Federal. De outro, as administrações locais vão gerir esses veículos que serão equipados para realizar consultas médicas, pré-natais e de enfermagem, fazer curativos, realizar exames e entregar medicamentos. As UMRs serão incorporadas ao programa Consultório na Rua, que já está em ação e é voltado ao atendimento da população em situação de rua.
Durante o lançamento da Pnais Rua, em evento na cidade de São Paulo, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a ideia é fazer uma “busca ativa” dos pacientes. Segundo ele, o objetivo é “cuidar melhor dessas pessoas”, destacando a diversidade do perfil dessa população e demonstrando a especial preocupação do poder público com as gestantes que vivem a dura realidade das ruas. Como bem disse Padilha, “não podemos ficar esperando uma gestante procurar a Unidade Básica de Saúde para iniciar o pré-natal”. Trata-se de um duplo cuidado, com a mãe e com o bebê.
Mas não só isso: a Pnais Rua vai ser mais abrangente. Além da atenção integral à saúde, serão implementados os seguintes eixos de atuação: enfrentamento de discriminações, entre elas a aporofobia, o racismo e a homofobia; realização de estudos para analisar o impacto dos preconceitos sobre a saúde; coleta e monitoramento de dados pelas equipes para o aprimoramento da política pública; gestão participativa; formação permanente dos gestores e profissionais do SUS; e ações de articulação entre saúde, assistência social e outras áreas para ampliar o acesso à segurança alimentar, à nutrição adequada e a políticas de redução das desigualdades. (Opinião/O Estado de S. Paulo)