Domingo, 26 de Julho de 2026

Home Variedades Maria Rita revela burnout, crise de identidade e diz que já duvidou do próprio talento

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Um burnout severo e uma profunda crise de identidade afastaram Maria Rita, 48, dos palcos por quase dois anos. A artista conta que chegou a sentir medo de cantar diante do público, passou a duvidar do próprio talento e só encontrou forças para recomeçar ao recorrer, simbolicamente, ao “colo” da mãe, Elis Regina (1945-1982).

O retorno acontece com a turnê “Redescobrir Vol. 2”, que estreia neste sábado (18), em Brasília. Segundo a cantora, o esgotamento já vinha se instalando havia algum tempo, mas atingiu o limite em 2024, quando o caminhão que transportava todo o equipamento de seus shows foi roubado.

O prejuízo financeiro e emocional, após mais de duas décadas de investimentos, fez com que ela desmoronasse. “Eu já estava me sustentando com pouco e, com o assalto, eu quebrei”, diz ela em entrevista ao jornal O Globo.

Maria Rita conta que durante esse período, viveu uma crise existencial que foi além da chamada síndrome da impostora. Embora continuasse entregando as apresentações que os fãs esperavam, ela passou a acreditar que enganava o público. “Olhava aquele roteiro no chão e falava: ‘O que eu estou fazendo? Que enganação eu sou’. Era mais complicado.”

A artista diz que chegou a desenvolver medo de estar no palco. “Medo de dar boa noite para o público, de não lembrar de letra, de travar. Aí falei: ‘Se eu não parar…’”, relembrou. Ela diz que, mesmo após o diagnóstico de burnout, insistiu em continuar trabalhando, decisão que hoje diz não recomendar.

Foi justamente nesse momento que surgiu a ideia da nova turnê. A cantora conta que teve uma imagem recorrente de um palco completamente branco, com ela vestida de vermelho no centro. Só mais tarde entendeu o significado daquela cena.

“Levei um tempo para perceber que aquela imagem era um colo, um coração pulsante em cima do palco. Diante de tantos questionamentos, só uma pessoa poderia me fortalecer. Foi uma busca consciente pelo colo da minha mãe.” Elis Regina morreu quando Maria Rita tinha quatro anos.

Diferentemente do espetáculo “Redescobrir”, apresentado em 2012 como uma homenagem a Elis, a cantora afirma que a nova montagem é, acima de tudo, um reencontro com ela mesma. E diz que o coração simbolizado pela cor vermelha representa suas imperfeições, ansiedades e desafios.

Ao falar da mãe, Maria Rita volta a comentar as comparações que enfrenta desde o início da carreira. Segundo ela, esse tipo de abordagem chegou a provocar sofrimento suficiente para fazê-la se afastar temporariamente do repertório da cantora. “Minha missão na vida é cantar. Mas prometi a mim mesma: se eu sentir que minha mãe vai morrer de novo, eu paro.”

A artista também relembrou a revolta que sentiu após perder a mãe ainda criança e admitiu que, por muitos anos, teve dificuldade para acreditar em Deus.

Hoje, diz encontrar sentido na espiritualidade por meio do candomblé. “Aprendi a aceitar que alguma coisa vem dessa situação tão traumatizante. Que seja esse cuidar dela, conseguir mantê-la viva de alguma forma”, comenta.

Apesar de afirmar que aprendeu a conviver com o luto, Maria Rita reconhece que a tristeza deixada pela morte de Elis continua presente. “É uma tristeza que eu acolho, mas cuido para ela não me paralisar”, afirma. “Às vezes cansa ser forte o tempo inteiro.” Com informações da Folha de S. Paulo.

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