Domingo, 06 de Setembro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 6 de setembro de 2026
“Mas… enfim…” não é apenas um vício de linguagem para preencher espaços vazios nas conversas. É a marca registrada do nosso jeitinho brasileiro de se conformar.
Existem várias outras muletas linguísticas, como por exemplo:
O formal: Veja bem!
O que te corrige: Na verdade…
Concordino: Com certeza.
Fofoqueiro: Sabe da última?
Estressado chic: Me poupe!
Modernoso: Tipo assim ou tipo isso.
O incrédulo: Fala sério!
E o matador: Mas enfim…
“Mas enfim” não é só uma muleta linguística é a expressão do nosso conformismo estrutural.
Quando discutimos um tema importante, surge em um ponto da conversa, o fatídico “mas enfim” que liquida com os argumentos.
Alguns exemplos:
O Estado prioriza a educação, mas não valoriza o professor… Mas, enfim…
Não se pode sair às ruas a noite é perigoso… Temos melhorar a legislação de segurança pública, falta vontade política… Mas, enfim…
Se o tema é a corrupção no governo, nas instituições públicas ou a precária infraestrutura no país, todos temos opiniões, discorremos sobre o assunto, propomos soluções, nos indignamos, até que “ele” aparece e junto com suspiro enterra o assunto.
Mas enfim…
E por cima vem a pá de cal:
– É da nossa cultura!
Este conformismo secular é como uma armadura de aço com dobradiças enferrujadas.
Consome nossa energia e nos condena a sermos cidadãos de segunda categoria.
Somos divididos em dois grupos:
Se eu estou bem e minha família também, o resto que se exploda!
Os que pensam assim, nem sabem que “explodem” junto!
E o outro grupo do:
“Eu faço a minha parte”.
Sim! Mas não é só isso. Temos que fazer a nossa parte e cobrar de quem não faz a sua!
Se existe uma cultura de aceitar passivamente problemas que nos puxam para baixo.
Pergunto:
Por que não nos esforçamos para mudar essa cultura?
Já passou da hora de darmos mais importância e ter uma participação efetiva em temas de interesse coletivo que impactam na qualidade de vida de todos.
Grande parte dos problemas que enfrentamos hoje são decorrentes de nossas omissões e conformismos de sempre.
Problemas que parecem distantes mas que nos atingem individualmente e bem pertinho.
Estamos vivendo dias difíceis na política e em nossas instituições de Estado.
Fica a pergunta:
Quem é o culpado?
Não importa o viés político que você defende, o tempo que vivemos hoje requer participação ativa de todos que se dizem cidadãos de bem.
Se alguém encerrar uma conversa com um – mas enfim!
Não aceite!
Mesmo que a conversa termine com o seu interlocutor, não aceite o conformismo que algo errado nunca vai mudar.
Pesquise e estude os argumentos, seja humilde em reconhecer se estiver errado.
O que não dá é perder a capacidade de se indignar e continuar com o “Mas enfim…”
“Mas enfim” tem que ir para a cova e desaparecer de nossas conversas e principalmente de nossas atitudes!
* Rogério Pons da Silva