Sábado, 21 de Maio de 2022

Home em foco Médicos explicam se é possível alguém ter sintomas da ômicron e não transmitir a doença

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O número de pessoas diagnosticadas com covid aumenta a cada dia devido ao avanço da variante ômicron, identificada pela primeira vez na África do Sul e mais transmissível que as anteriores. Apesar do aumento das contaminações, a ômicron parece causar mais sintomas leves.

No entanto, isso não significa que eles vão embora mais rapidamente. Em geral, pessoas com sintomas leves se recuperam totalmente até duas semanas após o início dos sintomas. Mas não é incomum relato de pacientes que persistem com manifestações leves como nariz escorrendo, tosse seca e dor de cabeça por um período mais longo que esse.

A permanência dos sintomas gera dúvidas sobre o risco de transmissão mesmo após o encerramento do período de isolamento. Atualmente, o Ministério da Saúde recomenda sete dias de isolamento após o aparecimento dos sintomas ou de um diagnóstico positivo (para assintomáticos), desde que haja melhora nos sintomas.

No entanto, a pessoa deve tomar alguns cuidados nos próximos três dias, incluindo uso de máscara em tempo integral e evitar aglomerações. A partir do décimo dia, basta continuar com os cuidados preventivos normais. No entanto, e se alguns sintomas leves e incômodos, como a coriza, persistirem?

Especialistas afirmam que, para casos leves, o risco de transmitir a doença após dez dias de isolamento é baixíssimo, mesmo se ainda houver algum resquício de sintoma. Então, não há motivo para preocupação.

“A pessoa tem que ficar em casa pela sua saúde e para não transmitir. Estudos mostram que dez dias após o início dos sintomas, o risco de transmitir a doença é muito baixo. Se a pessoa persiste com coriza ou um leve incômodo na garganta, ela dificilmente infectará outra pessoa”, diz o médico Salmo Raskin, geneticista e diretor-médico do Laboratório Genetika, de Curitiba.

O infectologista José David Urbaez Brito, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) do Distrito Federal, explica que toda infecção viral aguda resulta em processos inflamatórios nas vias aéreas e isso também gera sintomas.

A coriza, por exemplo, é um reação do organismo para eliminar da cavidade nasal substâncias e micro-organismos que possam causar irritação, como vírus e bactérias. Acredita-se que o nariz escorrendo, um dos sintomas mais duradouros da ômicron, esteja associado à característica da cepa de afetar mais as vias respiratórias superiores (nariz, garganta e traqueia) do que o pulmão.

“Não é incomum pessoas que tiveram doenças infecciosas continuarem com sintomas que resultam dessa inflamação do corpo. Mas isso não significa infectividade”, diz o infectologista José David Urbaez Brito, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) do Distrito Federal.

Atualmente, há um consenso entre especialistas de que dez dias de isolamento é o período ideal para realmente minimizar o risco de transmissão. Um estudo realizado pela Agência de Segurança de Saúde do Reino Unido (UKHSA) mostrou que cinco dias depois do início dos sintomas, 31% das pessoas continuam transmitindo a doença. Após sete dias, esse risco cai para 15,8%; para 5,1% após dez dias e para apenas 1%, após 14 dias. Lembrando que o dia do surgimento do primeiro sintoma é o dia zero.

Renato Kfouri, infectologista e diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBim), relembra que existem relatos de pessoas que transmitem a doença por um mês.

“Mas é raro, ressalta. É uma questão de risco. Já está comprovado que, depois do décimo dia, tanto faz o sintoma, a chance de transmitir é muito baixa”, completa Kfouri.

Por outro lado, Urbaez ressalta que se após dez dias ainda houver febre, moleza, indisposição, dores musculares generalizadas e muita tosse, é necessário permanecer afastado, pois isso é um sinal de que a infecção ainda está ativa.

Na nova diretriz, o próprio Ministério da Saúde recomenda que pessoas que continuam com sintomas intensos, continuem em isolamento por 15 dias ou mais, se necessário. Imunossuprimidos também devem ficar mais tempo afastados – a recomendação são 20 dias –, porque o vírus persiste mais tempo nas vias aéreas.

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