Segunda-feira, 26 de Fevereiro de 2024

Home coronavírus Médicos orientam aplicação de dois reforços contra covid; 5ª dose não é necessária agora

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O Brasil tem visto alta de casos da covid, assim como ocorre nos Estados Unidos, na Europa e na China. Diante da nova onda, outros países, como a Itália, e parte das cidades brasileiras, já ampliam a indicação da 5.ª dose. Médicos ouvidos pelo Estadão, porém, defendem aumentar as coberturas com a 3.ª e a 4.ª injeção, mas não veem necessidade de ampliar o público que toma a 5.ª – hoje restrita a imunossuprimidos, como pacientes oncológicos ou transplantados.

A cobertura para a 3.ª injeção é de 48,9% e, para a 4.ª, de 16,2%. A proporção de crianças imunizadas com ao menos uma dose também é considerada baixa: de apenas 52,5%, na faixa de 3 a 11 anos. Outras recomendações dos especialistas, sobretudo para grupos mais vulneráveis, é usar máscaras em ambientes fechados e evitar contato em caso de sintomas gripais.

Há cidades que já ampliaram a quinta dose para públicos mais amplos, a exemplo de Limeira (SP), que oferece para todos com mais de 50 anos, e Tatuí (SP), que recomenda para todos os adultos. A cidade do Rio de Janeiro também quer estender a recomendação para todos, após confirmar a circulação da subvariante da Ômicron BQ.1 no fim de semana. A Itália, em outubro, decidiu dar a 5.ª dose para os idosos com mais de 80 anos.

O Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo informou que não há orientação para os municípios aplicarem a 5.ª dose para a população em geral, só para imunodeprimidos sob avaliação clínica. A Secretaria de Saúde do Estado informou que na capital paulista a quinta dose da vacina continua sendo aplicada em pessoas com alto grau de imunossupressão com 18 anos ou mais, observando o intervalo de quatro meses entre as dose.

Alexandre Naime Barbosa, infectologista, professor e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, não vê necessidade de 5.ª dose para todos. “Em pacientes imunossuprimidos, o esquema básico é considerado com três doses, mais duas de reforço, totalizando cinco. Já na população em geral, o esquema básico são duas doses e então temos as doses 3 e 4 de reforço”, explica.

“Mais importante do que ampliar doses para 5.ª e 6.ª doses, é garantir cobertura alta de 4.ª dose para pessoas acima de 40 anos”, diz Julio Croda, médico infectologista da Fiocruz. “O importante é que a maioria das pessoas tenha tomado uma dose de reforço nos últimos quatro meses”, enfatiza.

Outra estratégia para conter a nova sub variante é o uso da vacina bivalente da Pfizer, atualizada para as cepas do vírus identificadas mais recentemente. Estudos preliminares já mostraram que essa nova versão do vírus tem maior chance de escapar da proteção dos imunizantes já aplicados.

“A BQ.1 tem escape de resposta imune maior e já temos dados dela sobre anticorpo neutralizante, que está relacionado à proteção contra infecção. Dessa forma, fica claro que a vacina bivalente garante maior nível de anticorpo neutralizante e, portanto, maior proteção para a BQ.1”, afirma Croda.

Um pedido de autorização para uso emergencial da vacina ambivalente no Brasil foi feito pela Pfizer à Anvisa em setembro, mas ainda não foi avaliado. Em nota, a farmacêutica disse que ainda está investigando a efetividade do imunizante bivalente contra a subvariante BQ.1 e espera ter dados concretos em breve.

Procurada, a agência reguladora disse que “os processos estão em fase final de análise pela área técnica, para posteriormente serem encaminhados à diretoria” para deliberação. A vacina ambivalente já está disponível em Europa, Estados Unidos, Japão, Argentina, Chile, entre outros países.

Em nota, o Ministério da Saúde disse monitorar a evolução das coberturas vacinais para todas as faixas etárias. Ainda conforme o órgão, a importância do reforço é destacada em campanhas.

Para Evaldo Stanislau, infectologista do Hospital das Clínicas da USP, também é preciso acelerar a vacinação das crianças na faixa de 6 meses a 2 anos. “Seria importante fechar as portas para o vírus em populações que facilitam a sua disseminação, como é o caso da pediátrica, antes de falarmos em ampliar a quinta dose para a população como um todo”, alerta.

Segundo Alexandre Naime Barbosa, é recomendado que cada um faça uma avaliação individual de risco. A orientação é de que idosos acima de 75 anos, pessoas que passaram por transplante de órgão recente, pacientes com doença de lúpus e imunossuprimidos, em geral, evitem aglomerações e usem máscaras sempre que tiverem contato com outras pessoas.

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