Segunda-feira, 29 de Novembro de 2021

Home Economia Mercado já vê juro de até 11% no Brasil em 2022

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O drible no teto de gastos anunciado pelo governo para conseguir elevar o valor do Auxílio Brasil, antigo Bolsa Família, de R$ 200 para R$ 400 deixou uma certeza entre os analistas: o cenário econômico brasileiro vai ficar ainda pior. Desde sexta-feira (22), há um movimento generalizado de instituições financeiras revisando suas projeções para a taxa de juros.

Se antes o consenso era de que na próxima reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (BC), nesta semana, haveria uma alta de 1 ponto porcentual na Selic (para 7,25% ao ano), a aposta agora é de alta de 1,25 a 1,5 ponto.

Para o ano que vem, algumas instituições já estimam os juros na casa dos 10% (o Credit Suisse, por exemplo, fala em 10,5%; a XP fala em 11%), para conter a inflação. E juro maior significa uma trava no crescimento econômico – que já tinha previsões pífias, em torno de 1%, para 2022.

Toda essa turbulência foi provocada pelo ataque ao teto de gastos, a regra que limita o crescimento das despesas do governo à inflação do ano anterior. Era o que “atrapalhava” os planos do presidente Jair Bolsonaro de dobrar o valor do Auxílio Brasil no ano que vem, arma considerada fundamental na sua tentativa de reeleição.

Para resolver o impasse, o caminho encontrado pelo governo para conseguir recursos foi mudar a regra e furar o teto, em vez de cortar despesas com subsídios ou emendas parlamentares, por exemplo.

Fez um acordo no Congresso para modificar a forma como o teto é calculado. E, com isso, abrir um espaço de R$ 83,6 bilhões no Orçamento. Para economistas e analistas, esse movimento, se aprovado, enterra a última barreira que existia em relação aos gastos desenfreados do governo, principalmente levando-se em conta que 2022 é ano eleitoral.

A reação foi forte. Na semana, a Bolsa caiu 7,28%, o pior desempenho desde março do ano passado. Na sexta, o Ibovespa fechou aos 106,2 mil pontos, queda de 1,34%. O dólar, por sua vez, subiu 3,12% na última semana e fechou em R$ 5,6273.

Estagflação

Os efeitos da manobra no teto devem ser sentidas de forma profunda principalmente no ano que vem. O aumento mais forte na taxa de juros prevista agora pelos economistas deve reforçar um quadro que já vinha se desenhando, o da estagflação – crescimento baixo com inflação alta.

Para o economista José Roberto Mendonça de Barros, sócio da MB Associados, não se conseguirá fugir desse cenário. “O presidente Bolsonaro, o ministro Paulo Guedes, e os políticos em Brasília parecem não entender a gravidade, o risco econômico que essa mudança no teto representa”, diz.

Segundo ele, mexer na regra que limita os gastos públicos em um momento de tantas incertezas, em que o País convive com uma inflação persistentemente alta – e sobre a qual ninguém sabe ao certo em que nível vai ficar em 2022 –, é catastrófico para a economia.

Caio Megale, economista-chefe da XP Investimentos, disse que o cenário fiscal foi alterado com a mudança no teto, e que o quadro será de mais deterioração pela frente. “O cenário de juros e câmbio mais elevados vai alterar as expectativas (para a economia).”

Segundo ele, as sinalizações do governo vão na direção de aumento de gastos sem falar em cortar despesas. Os mercados se assustaram e perderam a referência de como vai ser a dinâmica da dívida para a frente.

Shelly Shetty, responsável pelo rating do Brasil na Fitch, disse que os dribles no teto podem prejudicar a dinâmica de crescimento do PIB do Brasil e ainda trazer mais inflação. Para contê-la, será preciso subir os juros, o que eleva os custos de captação do governo.

A crise aberta com a mudança do teto de gastos está longe de produzir efeitos só de curto prazo. Com o temor de descontrole das despesas do governo, o mercado passou a apostar em elevação de até 1,5 ponto para a Selic na próxima reunião do Copom, semana que vem. Isso vai afetar o PIB e prejudicar a recuperação dos empregos no País.

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