Terça-feira, 30 de Junho de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 30 de junho de 2026
Os governos de Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, países-membros do Mercosul, concordaram com o início das negociações de um acordo comercial com o Japão.
O anúncio foi feito nessa terça-feira (30) em comunicado conjunto do bloco durante a 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, em Assunção (Paraguai).
No encontro, o presidente Lula também defendeu o início de negociações de um acordo comercial com a China. O Mercosul vive uma fase de expansão de parcerias comerciais. Em maio, entrou em vigor o acordo do bloco com a União Europeia.
Com o lançamento das negociações com o Japão, se os países envolvidos chegarem a um denominador comum, o acordo de parceria econômica criará uma área de livre comércio com PIB combinado de US$ 7 trilhões, num mercado consumidor comum de 400 milhões de pessoas, de acordo com comunicado divulgado pelo governo brasileiro.
O Japão é a quarta maior economia do mundo e já está entre os dez maiores parceiros comerciais do Mercosul, com uma corrente de comércio de US$ 13,7 bilhões em 2025. No início do mês, Lula teve um encontro com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, à margem da Cúpula do G7, na França, e adiantou que as conversas sobre um acordo comercial poderiam começar ainda em junho.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil informou que o lançamento das negociações é resultado de discussões iniciadas entre o Mercosul e o Japão no marco de parceria estratégica assinado entre as duas partes em dezembro de 2025, que foram seguidas de duas reuniões técnicas neste ano.
“Com este acordo, as duas partes buscarão ampliar o acesso a mercados de bens agrícolas e não agrícolas, a cooperação e os investimentos mútuos, integrando as cadeias de valor entre ambas as economias”, informou o Itamaraty em comunicado.
Interesse na China
O presidente Lula é um dos chefes de Estado presentes ao encontro do Mercosul na capital paraguaia. Diante dos outros presidentes, o petista defendeu que o bloco sul-americano também inicie negociações com a China para um acordo de comércio com o gigante asiático.
Ele também citou negociações já em curso do Mercosul com outros dois países asiáticos, Índia e Vietnã, e com o Canadá:
“Nesta cúpula, daremos mais um passo ao lançar as negociações de uma parceria econômica com o Japão. Em breve, queremos fazer o mesmo com a China e seguir nos aproximando dos mercados mais dinâmicos do planeta.”
Crítica
Lula também criticou indiretamente uma suposta interferência política dos EUA na América Latina, que passa por uma onda de eleições de políticos de direita, aliados do presidente americano, Donald Trump, e fez uma defesa da importância do Mercosul no cenário geopolítico atual.
“Ninguém é dono do mundo. E ninguém é dono da América do Sul. Nenhum país do Mercosul ganhará mais liberdade de ação por meio de alinhamentos automáticos ou escolhas excludentes”, disse Lula. “A fragmentação da economia mundial impõe severos desafios ao comércio, aos investimentos e ao desenvolvimento sustentável. Na atual conjuntura, o Mercosul é uma necessidade estratégica”, destacou o presidente brasileiro.
Antes da sua fala, Lula pediu um minuto de silêncio em homenagem aos mortos pelos terremotos na Venezuela.
Além dos chefes de Estado de três dos quatro países-membros do Mercosul, a Cúpula em Assunção recebe como convidados os presidentes de Chile, Equador e Bolívia. Os dois primeiros estão entre os estados associados ao bloco e a última está em processo de adesão como membro-pleno. A Venezuela é uma integrante suspensa. Colômbia, Guiana, Panamá, Peru e Suriname também são associados ao Mercosul, mas não participam da Cúpula.
No evento, o Paraguai encerra sua presidência rotativa do Mercosul e a transmite ao Uruguai. Entre os integrantes do bloco, o único que faltou foi Javier Milei, da Argentina, que vive uma crise política interna. Ele cancelou de última hora a viagem à Assunção, em meio à renúncia do chefe de gabinete da Casa Rosada, Manuel Adorni, envolvido em escândalos de corrupção por suposto enriquecimento ilícito.
Fundo do Mercosul
Entre os debates da atual cúpula do Mercosul, está a criação do novo Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (Focem), em substituição ao atual, considerado insuficiente.
O Brasil anunciou que vai destinar US$ 100 milhões, por ano, ao novo Focem. O mecanismo foi criado em 2004 para reduzir as desigualdades entre os países do bloco sul-americano.
O Brasil tem cobrado que a Argentina também aumente a contribuição para o Focem. O Paraguai tem defendido que o Fundo tenha aportes 50% superiores ao Fundo antigo.
Desde sua criação, o Fundo financiou mais de mil quilômetros de rodovias, 680 km de ferrovias, 750 km de linhas de transmissão de energia e 100 km de redes de saneamento básico. (Com informações a Agência Brasil)