Sexta-feira, 01 de Julho de 2022

Home Economia Mesmo em guerra, Rússia é o quinto país que mais exporta ao Brasil

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A importação brasileira de produtos russos se acelerou neste início de ano num ritmo muito maior que o do total das compras externas. Com isso, os russos, mesmo em guerra com a Ucrânia, galgaram postos e passaram a ser, de janeiro a abril, o quinto país que mais vende ao Brasil. Em igual período do ano passado, estavam na 12ª posição.

A China ainda lidera com folga o fornecimento de produtos ao Brasil de janeiro a abril deste ano, seguida logo depois pelos Estados Unidos. Alemanha e Argentina vêm depois dos americanos. A Rússia, em quinto, vendeu ao Brasil total de US$ 2,4 bilhões no primeiro quadrimestre de 2022, praticamente empatada em valor com a Índia, em sexto. Em relação ao ano passado, os russos deixaram para trás países como Coreia do Sul, México e Japão.

As compras brasileiras da Rússia cresceram 89% de janeiro a abril deste ano em relação ao mesmo período de 2021. No geral, as importações brasileiras subiram 28% nessa mesma comparação. O ritmo mais acelerado das compras com origem na Rússia fez o país galgar postos no ranking dos países que fornecem ao Brasil. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/ME).

Especialistas apontam que a posição atual da Rússia entre os cinco maiores
fornecedores do Brasil não é permanente, mas resultado de um cenário que veio com a pandemia e foi exacerbado pela guerra entre Rússia e Ucrânia. Descompassos entre oferta e demanda, gargalos logísticos e receio de escassez de produtos levando preços de commodities e insumos às alturas compõem o cenário.

Sob efeito parecido com o da Rússia, a Arábia Saudita também subiu da 17ª posição para o décimo lugar no ranking. No comércio com os sauditas, a principal influência foi o petróleo bruto, que representou 69% do que o Brasil importou deles de janeiro a abril. Com influência da alta das cotações da commodity, o valor importado em petróleo da Arábia Saudita aumentou 206% nos quatro primeiros meses deste ano na comparação com iguais meses do ano passado.

No caso da Rússia, a “cesta” brasileira do que compramos de produtos russos
também ajuda a explicar a maior importância do país como fornecedor externo, ao lado do robusto setor agrícola brasileiro. Os adubos ou fertilizantes químicos são o componente principal do que importamos de janeiro a abril dos russos e ocupam 70% da cesta. Outros 15% ficam para o carvão enquanto óleos combustíveis de petróleo respondem por 7,1%.

A Rússia é um dos maiores exportadores globais de fertilizantes e adubos. De
janeiro a abril os russos nos forneceram US$ 1,65 bilhão nesses itens, com alta de 142% contra iguais meses de 2021. O valor representou um quarto do que o Brasil importou desses insumos.

A alta no valor foi influenciada por preços e por antecipação de compras. Os preços dos fertilizantes importados pelo Brasil saltaram 130,7% em abril contra igual mês do ano passado. O dado vale para todo o fertilizante que importamos nesse mês, mas o insumo que veio da Rússia também ficou mais caro. Dados da MacroSector mostram que o preço dos fertilizantes russos que o Brasil importou no primeiro trimestre de 2022 subiu 149% contra iguais meses de 2021.

A venda de produtos brasileiros à Rússia somou US$ 741,5 milhões no primeiro quadrimestre deste ano, com alta também representativa, de 81,3%, contra igual período de 2021. Como o valor total do que vendemos a eles foi menor do que o das importações, o Brasil teve déficit comercial com os russos de US$ 1,64 bilhão de janeiro a abril.

De janeiro a abril, segundo dados da Secex, o Brasil importou do Congo e da Guiana, somados, US$ 326,6 milhões em petróleo bruto. É pouco se comparado ao US$ 1,12 bilhão comprado da Arábia Saudita ou dos US$ 842,6 milhões dos EUA. Congo e Guiana, são, porém, dois novos países aparecendo no mapa de fornecedores de petróleo bruto ao Brasil, também como resultado desse cenário que impactou as cadeias globais de produção e fornecimento.

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