Terça-feira, 05 de Maio de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 5 de maio de 2026
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) voltou a criticar o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) em um vídeo compartilhado nas suas redes sociais na noite desta segunda-feira (4).
Em dezembro do ano passado, ela já havia criticado publicamente aproximação do PL do Ceará com Ciro, que é pré-candidato ao governo do estado e lidera as pesquisas de intenção de voto contra o atual governador petista Elmano de Freitas. O posicionamento gerou um atrito com os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, que chegaram a rebater as declarações da madrasta, consideradas desrespeitosas.
No vídeo divulgado por Michelle, Ciro tece críticas a Bolsonaro em 2019. O ex-governador defendeu que o ex-presidente era um homem “quase doente” e “burro”, com capacidade intelectual “curta”. Ainda segundo Ciro, Bolsonaro teria “horror aos letrados”.
“Para a gente entender o Bolsonaro, temos que entender a psicologia de um homem quase doente — disse Ciro, em entrevista ao canal do YouTube MyNews, em 2019. — Por que o Bolsonaro tem esse ódio anti-intelectual? É porque ele é curto, a capacidade de raciocínio dele é abstrata. Ele é quase um burro, quase um jumento. Um cara imbecil mesmo”, completou. As informações são de O Globo.
Ao divulgar a gravação, por sua vez, Michelle escreveu: “E ainda há pessoas da ‘direita’ apoiando esse indivíduo”. Não é a primeira vez que Michelle utiliza materiais do passado de Ciro para questionar uma eventual aproximação. Em dezembro, a ex-primeira-dama afirmou que não teria com ficar feliz “com o apoio à candidatura de um homem que xinga o meu marido o tempo todo de ladrão de galinha, de frouxo e tantos outros xingamentos”.
“Eu jamais poderia concordar em ceder o meu apoio à candidatura de um homem que tanto mal causou ao meu marido e à minha família. Como apoiar (ou deixar de, caridosamente, admoestar quem apoia) um homem que foi responsável por implantar a narrativa que rotulou o meu marido como genocida?”, afirmou à época.
“Autoritária”
Antes disso, a primeira manifestação pública de Michelle ocorreu durante o lançamento da pré-candidatura do senador Eduardo Girão (Novo-CE) ao governo do estado. Àquela altura, a articulação era conduzida pelo deputado federal André Fernandes (PL-CE), presidente do diretório local do PL, que justificava ter tido o aval de Bolsonaro para buscar a composição com Ciro.
A declaração rendeu críticas dos filhos do ex-presidente. A primeira delas partiu do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, que chamou Michelle de “autoritária”.
“A Michelle atropelou o próprio presidente Bolsonaro, que havia autorizado o movimento do deputado André Fernandes no Ceará. E a forma com que ela se dirigiu a ele, que talvez seja nossa maior liderança local, foi autoritária e constrangedora”, disse o senador.
Nas redes sociais, o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-SC) disse que a aproximação com Ciro, que deve concorrer ao governo do Ceará em 2026, foi feita com aval do ex-presidente. “Temos que estar unidos e respeitando a liderança do meu pai, sem deixar nos levar por outras forças”.
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) repetiu os irmãos: “meu irmão Flávio está correto. Foi injusto e desrespeitoso com o André o que foi feito no evento. Não vou entrar no mérito de ser um bom ou mal acordo; foi uma posição definida pelo meu pai”.
Dias depois, no entanto, Flávio pediu desculpas à Michelle, e, com isso, o PL decidiu suspender a aliança. Apesar disso, Ciro ainda articula o apoio do PL à sua candidatura ao governo, com o deputado estadual Alcides Fernandes cotado para uma vaga ao Senado na chapa. A outra vaga ao Senado ficaria com Capitão Wagner (União Brasil), e a vice com Roberto Cláudio (União Brasil), ambos ligados à direita bolsonarista.