Segunda-feira, 27 de Julho de 2026

Home Saúde Ministério vai pedir inclusão no SUS de medicamento injetável que previne o HIV

Compartilhe esta notícia:

O Ministério da Saúde vai enviar na próxima semana à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) uma proposta para oferecer pelo SUS o cabotegravir, medicamento injetável usado na prevenção do HIV.

O anúncio foi feito nessa segunda-feira (27) pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante a Conferência Internacional de Aids, que acontece nesta semana no Rio de Janeiro.

Segundo Padilha, o laboratório responsável pelo medicamento apresentou ao governo brasileiro um preço considerado adequado. O ministro não informou o valor negociado.

A apresentação do pedido, contudo, não significa que a injeção será imediatamente oferecida na rede pública.

A Conitec ainda deverá avaliar as evidências científicas, os custos e o impacto da possível incorporação antes de fazer uma recomendação ao Ministério da Saúde.

Diferentemente da PrEP disponível atualmente no SUS, que exige o uso de comprimidos, o cabotegravir é aplicado por meio de uma injeção a cada dois meses. Ele foi aprovado em 2023 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A PrEP injetável é considerada a uma inovação para prevenção do HIV, já que ainda não há uma vacina disponível contra o vírus.

Em 2021, o medicamento recebeu aprovação da FDA, agência reguladora dos Estados Unidos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou o uso do cabotegravir para prevenção contra o vírus HIV em 2022.

Hoje, a prevenção da infecção pelo HIV no Brasil é feita com a PrEP oral, uma combinação de dois remédios (tenofovir/emtricitabina, conhecida como Truvada), disponibilizados gratuitamente pelo SUS.

O objetivo da PrEP é preparar o corpo para enfrentar um possível contato com o HIV – como uma relação sexual em que há risco de contato com o vírus, por exemplo.

Preço

Ao anunciar o envio do cabotegravir à Conitec, o ministro da Saúde também criticou as condições apresentadas para a compra do lenacapavir, outra injeção usada na prevenção do HIV.

Diferentemente do cabotegravir, o lenacapavir precisa ser administrado apenas duas vezes por ano.

O medicamento já foi aprovado pela Anvisa, mas seu preço no Brasil ainda não foi definido e não há um valor comercial oficial no país.

Segundo Padilha, o governo tentou negociar o fornecimento da injeção semestral ao SUS, mas não chegou a um acordo com a fabricante.

O ministro afirmou que o Brasil se dispôs a pagar até dez vezes o valor oferecido a países de perfil econômico semelhante, como Indonésia e Tailândia, mas a proposta não foi aceita pela empresa.

“Inovação sem acesso é injustiça. Nós vemos com muita esperança as novas tecnologias de medicações injetáveis, de profilaxia prolongada do HIV e da Aids, mas exigimos que elas sejam oferecidas, sobretudo para os sistemas nacionais de saúde, com preços adequados, não preços estratosféricos”, afirmou.

Padilha disse que o governo não pretende avançar na incorporação do lenacapavir enquanto o preço apresentado for considerado incompatível com a capacidade de pagamento do sistema público.

“Não vamos drenar o recurso que é fruto dos impostos dos cidadãos brasileiros para o interesse de lucro de uma empresa apenas”, declarou.

O ministro não informou quais valores foram apresentados durante a negociação nem qual seria o preço considerado aceitável pelo Ministério da Saúde.

Diferenças

As diferenças entre o cabotegravir e os medicamentos existentes hoje são, basicamente, duas: o novo remédio é injetável e de ação prolongada.

A principal vantagem disso é uma melhor adesão ao tratamento e à comodidade de tomar um remédio que faça efeito a médio e longo prazo.

As duas primeiras doses são aplicadas com quatro semanas de intervalo, seguidas de uma injeção a cada oito semanas. As aplicações são intramusculares na região dos glúteos.

Os medicamentos usados hoje para prevenir o HIV, em terapias conhecidas como profilaxia de pré-exposição (PrEP), são de uso oral e precisam ser tomados todos os dias para ter efeito.

O cabotegravir mostrou-se “seguro e altamente eficaz” em dois testes clínicos com mulheres, homens que fazem sexo com homens (HSH) e mulheres trans que fazem sexo com homens. Os estudos foram feitos, inclusive, no Brasil – em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre.

Após os ensaios, os pesquisadores concluíram que a eficácia do cabotegravir é 69% maior em comparação com os comprimidos orais diários. (Com informações do portal de notícias g1)

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Saúde

HIV: novos casos caem 43% no mundo desde 2010, mas crescem no Brasil
Design “passaporte” do Samsung Galaxy Z Fold 8 é a próxima grande tendência em smartphones
Deixe seu comentário
Baixe o app da RÁDIO Pampa App Store Google Play
Ocultar
Fechar
Clique no botão acima para ouvir ao vivo
Volume

No Ar: Programa Pampa News