Sexta-feira, 19 de Julho de 2024

Home em foco Ministra da Saúde volta a ser pressionada pelo PT do Rio após demissões de diretores de hospitais federais

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Depois de um mês de março marcado na Saúde pela crise envolvendo os hospitais federais do Rio, o PT volta a pressionar a ministra Nísia Trindade por se ver preterido na rede. Influente nas nomeações para cargos de comando nas seis unidades, o partido fala agora em “avançar” politicamente sobre o ministério, que teria uma postura “antidemocrática, assediadora e sem debate ampliado”.

As palavras são da coordenadora do setorial de Saúde do PT do Rio, Fernanda Spitz, ligada ao deputado federal Dimas Gadelha, pré-candidato do partido à prefeitura de São Gonçalo. O texto foi enviado a um grupo da sigla no WhatsApp e convoca para a segunda-feira uma reunião focada em discutir a atuação partidária diante das novas insatisfações com Nísia.

“Depois de todo terror que vivemos, o MS (Ministério da Saúde) continua com postura antidemocrática”, afirma o comunicado, que foi endossado por outros integrantes do grupo.

Na última quarta-feira, a ministra abriu um processo interno para exonerar dois diretores de hospitais federais indicados pelo partido: Jefferson Antunes, do Andaraí, e Pedro de Jesus, do Cardoso Fontes. Antunes substituiu Dimas Gadelha na Secretaria Municipal de Saúde de São Gonçalo, reduto do deputado, quando ele deixou a pasta em 2018.

Procurada, Fernanda Spitz reclamou do vazamento da mensagem interna e disse que não tem nada a declarar sobre o teor do texto.

Medidas emergenciais

As demissões ainda não foram oficializadas em Diário Oficial, mas já tramitam internamente por setores do ministério e devem ser concretizadas em breve. Procurada, a pasta disse que tem adotado, por meio do comitê criado para atuar nos hospitais federais do Rio,“medidas emergenciais e estruturais para garantir a eficiência e melhoria da gestão das unidades e, principalmente, assistência de qualidade para a população, como a reorganização de processos, cargos de gestão, aprimoramento da infraestrutura e agilidade na aquisição de insumos e medicamentos”.

Afirmou ainda que “reforça o compromisso em estabelecer todas as ações necessárias e empenhar todos os esforços para a reconstrução e fortalecimento dos hospitais federais, para que toda a população do Rio de Janeiro tenha acesso à saúde pública de qualidade”.

O PT passou a intensificar as pressões sobre Nísia depois de uma portaria do ministério que, na prática, reduz o poder de cada unidade hospitalar. A medida, ainda em fase de implementação, busca centralizar cargos e funções, como as compras, no Departamento de Gestão Hospitalar (DGH), órgão que está acima dos seis hospitais.

Legado dos tempos em que o Rio era capital da República, os hospitais federais são um tradicional espaço de ingerência política, algo que perpassa diferentes governos. Hoje, têm mais influência dos petistas, mas já foram controlados por grupos políticos diversos.

O orçamento previsto para 2024, quando somados os seis hospitais, ultrapassa R$ 800 milhões, mas há problemas estruturais na rede. Além de indícios de mau uso de dinheiro público e corrupção — como direcionamento de licitação e compras superfaturadas, segundo uma nota técnica do DGH —, as unidades sofrem com condições precárias e dificuldades para atender pacientes.

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