Sábado, 04 de Dezembro de 2021

Home em foco Ministro Ciro Nogueira completa cem dias na Casa Civil dividido entre papeis de amortecedor e político em campanha

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No dia 16 de setembro, uma quinta-feira, o Ministério da Saúde baixou uma orientação para que se suspendesse a vacinação contra a covid-19 entre adolescentes, gerando polêmica Brasil afora e queixaria nos Estados. No dia seguinte, enquanto a crise avançava, o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, desembarcou em Amarante (PI), município de 17 mil habitantes a 160 quilômetros de Teresina.

A pauta do titular da pasta mais estratégica do Palácio do Planalto nada a tinha a ver com a saúde da população: Nogueira viajou para receber o título de cidadão amarantino, concedido pela Câmara dos Vereadores.

“Sei que tenho uma responsabilidade grande com o país, ao ocupar o cargo de ministro-chefe da Casa Civil, o ministério mais importante. Mas eu tenho dito por aí: primeiro o Piauí. Primeiro nós temos que fazer com que o Piauí fique em boas mãos”, discursou Nogueira, com uma medalha no peito, para um auditório com algumas dezenas de pessoas.

Nos dias seguintes, o ministro fez uma espécie de turnê pelo seu Estado. Visitou nada menos do que sete cidades, onde inaugurou obras, se reuniu com autoridades e assistiu a uma missa.

O fim de semana em questão foi representativo dos 100 primeiros dias de Nogueira na Casa Civil, completados nesta sexta-feira. Se, por um lado, ele tenta ser o “amortecedor” do governo, buscando melhorar a relação com outros Poderes, como anunciou após a posse, em agosto, por outro, ele foca grande parte de suas atenções no Piauí, estado pelo qual foi eleito senador. No ano que vem, poderá disputar o posto de governador e, por isso, mantém o costume de parlamentares de retornar à base eleitoral nos fins de semana, às vezes já na sexta-feira.

Em 14 finais de semana desde que assumiu o ministério, Nogueira cumpriu agenda no seu Estado em quatro, entre eles o último. Enquanto o governo contava os votos para aprovar a PEC dos Precatórios em segundo turno na Câmara, o ministro fez novamente um giro por oito cidades diferentes. Em uma dessas paradas, ele recebeu inclusive, de forma antecipada, um bolo comemorativo dos 100 dias na pasta.

Seu gabinete no Palácio do Planalto, além disso, também está de portas abertas a autoridades piauienses. Muitas das reuniões, inclusive, não são registradas na agenda, mas no Instagram, onde Nogueira anuncia para seus eleitores encontros “no horário de almoço” ou “após o expediente” com parlamentares ou outras autoridades locais.

O ministro também tem por hábito publicar aos domingos um vídeo sobre algum tema envolvendo o Piauí, geralmente com críticas ao governador Wellington Dias (PT), seu ex-aliado e hoje adversário. Nogueira costuma provocar Dias pelo insucesso na compra de vacinas por parte do Consórcio Nordeste. O chefe do Executivo estadual é o responsável por vacinas no grupo e foi um dos principais articuladores da compra do imunizante russo Sputnik V, que acabou cancelada após dificuldade para conseguir registro.

“Para você tomar essa vacina, você faz o seguinte. Você pega uma estrada que o Wellington Dias não construiu, ou não recuperou. Passa por uma obra do Pró-Piauí, que ele não fez. Chega em um hospital ou em um posto de saúde, que ele também não construiu, e aí você toma a vacina que ele não comprou”, ironizou Nogueira, em um vídeo de setembro.

Em abril, antes de ser ministro, Nogueira chegou a lançar sua pré-candidatura ao governo do estado, mas a chegada à Casa Civil pode mudar os planos, já que ele teria que sair do cargo em abril. Sua ida ao ministério, inclusive, esteve relacionada à política local: o senador ficou irritado com o anúncio de que o Ministério da Economia havia liberado uma operação de crédito de R$ 800 milhões, por meio do Banco do Brasil, para o estado, o que beneficia Wellington Dias. O convite serviu para ajudar a diminuir a insatisfação pessoal de Nogueira com o governo.

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