Terça-feira, 08 de Setembro de 2026

Home Política Ministro das Relações Institucionais critica afastamento do chefe da Polícia Federal por André Mendonça e “vê cheiro eleitoral”

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O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, classificou como “descabida” e uma “intromissão” a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Guimarães também afirmou que a medida tem “cheiro eleitoral”, em referência ao contexto político em que ocorre o afastamento.

A decisão de Mendonça foi tomada na terça-feira (8) e também atingiu o diretor de Inteligência Policial da PF, Leandro Almada da Costa. O ministro determinou ainda que a Corregedoria da Polícia Federal instaure procedimentos para apurar, nas esferas criminal e administrativo-disciplinar, as circunstâncias relacionadas à produção e à circulação de relatórios de inteligência da corporação.

Ao justificar a medida, Mendonça apontou indícios de irregularidades na elaboração dos documentos e afirmou que a permanência de Rodrigues e Almada nos cargos poderia permitir interferências nas investigações. Segundo a decisão, os dois teriam acesso a sistemas, informações, estruturas e relações institucionais que poderiam, em tese, influenciar as apurações.

O afastamento ocorreu em meio ao conflito entre Mendonça e integrantes da Polícia Federal envolvendo relatórios de inteligência produzidos pela corporação. Um dos documentos, divulgado anteriormente no âmbito de uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, registrava informações sobre a atuação de Mendonça e sua relação com o advogado-geral da União, Jorge Messias.

Mendonça afirmou ter sido alvo de monitoramento sistemático e considerou irregular a produção dos relatórios. O ministro determinou novas apurações sobre a elaboração e o uso dos documentos e questionou os procedimentos adotados pela Polícia Federal.

O caso também está relacionado aos desdobramentos das investigações sobre o Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Em decisão anterior, Moraes havia utilizado um relatório da PF para solicitar investigação sobre Mendonça. O ministro contestou a validade dos documentos e determinou a apuração das circunstâncias em que o material foi produzido.

A decisão individual de Mendonça passou a ser analisada pela Segunda Turma do STF em sessão virtual extraordinária na terça-feira (8). Os ministros Luiz Fux e Nunes Marques acompanharam o relator, formando maioria para manter o afastamento. O julgamento foi interrompido após Gilmar Mendes pedir vista.

Guimarães afirmou que a apuração de eventuais crimes é necessária, mas questionou o afastamento do diretor-geral da PF. Segundo declaração do ministro, a decisão representaria uma “intromissão onde não lhe cabe”. Ele também associou a medida ao período eleitoral ao dizer que o episódio tem “cheiro eleitoral”.

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