Domingo, 06 de Setembro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 5 de setembro de 2026
Nos últimos 12 meses, morar de aluguel ficou 9,28% mais caro no Brasil, de acordo com o Índice FipeZAP. O número supera a inflação e pressiona o orçamento das famílias em um País com mais de 81 milhões de negativados. Apesar disso, a inadimplência no mercado de locação recuou e chegou ao menor índice nos últimos três anos.
“O aluguel está no topo da hierarquia das dívidas dos brasileiros. As pessoas, quando analisam suas contas, têm de priorizar o que vão pagar e quais vão empurrar para frente”, explica Claudio Felisoni, professor e coordenador de Projetos da FIA Business School. “Ao invés de correr o risco de ser despejado, atrasam o cartão de crédito”, diz ele.
Dados do Índice de Inadimplência Locatícia da plataforma Superlógica mostram que a inadimplência de aluguel no Brasil atingiu 3,05%. Este é o menor índice desde junho de 2023, quando registrou 3,03%. Na comparação com julho de 2025, a queda foi de 0,71 ponto porcentual.
Felisoni entende que o fenômeno é explicado pelo sistema de preços no mercado de locação. “Com mais pessoas buscando imóveis para alugar, o proprietário tem um poder de escolha mais evidente. A exigência de uma renda de três vezes o valor do aluguel passa a ser aplicada com mais vigor, por exemplo. O resultado é um perfil de inquilino mais solvente que o restante da população”, diz.
O professor explica que os critérios inibem pessoas com maior risco de inadimplência. “Quem passa pelo filtro de renda tem mais condições de pagar do que quem não passa pelo filtro. Não é o preço alto empurrando gente para o calote, é o preço alto empurrando para fora do mercado quem não tem condições de pagar”.
Segundo o levantamento, os imóveis residenciais com o custo de locação entre R$ 1 mil e R$ 8 mil têm uma taxa de inadimplência inferior a 4%. A maior parte dos inadimplentes está entre os locatários de imóveis com preço inferior a R$ 1 mil ou superior a R$ 13 mil.
“Famílias com menor margem no orçamento tendem a sentir mais o impacto do aumento de despesas essenciais, como alimentação e transporte, o que pode reduzir a capacidade de absorver imprevistos e manter compromissos como o aluguel em dia”, analisa Manoel Gonçalves, diretor de negócios para imobiliárias do Grupo Superlógica.
Já a faixa acima dos 13 mil, segundo o executivo, costuma concentrar um perfil de locatários formado por empreendedores, comerciantes e empresários. “Um público com renda familiar em geral três vezes maior que o aluguel, mas exposto a uma pressão real de carga tributária, giro mais fraco da economia e crédito caro”, analisa Gonçalves.
Onde ficam os aluguéis mais caros do País
O Índice FipeZAP de locação residencial indica que o aluguel mais caro do País está em São Paulo, mas não é a capital que ostenta esse título. O município de Barueri tem o preço médio do metro quadrado para locação custando R$ 72. Na prática, um imóvel de 50 metros quadrados na cidade tem o aluguel avaliado em aproximadamente R$ 3,6 mil.
“Esse crescimento dos preços em Barueri acontece desde 2022 e pode ser atribuído ao investimento no segmento de luxo na cidade, com uma influência significativa da região de Alphaville”, explica Mariangela Silva, economista do Grupo OLX. “Diferentemente de São Paulo, que tem maior diversificação de bairros e tipologias, a cidade sente impactos mais pronunciados em decorrência do crescimento de uma região e um nicho específico”.
Na sequência, aparece São Paulo com o preço médio do metro quadrado avaliado em R$ 65,18. Recife (PE), Belém (PA) e Florianópolis (SC) aparecem em seguida. Porém, nenhuma capital brasileira viu o aluguel valorizar tanto no último ano quanto Aracaju, capital do Sergipe. Apenas nos últimos 12 meses, o preço médio de locação subiu 25,78%.
“A valorização do mercado de locação em Aracaju reflete a expansão urbana da capital, impulsionada pela consolidação de novos eixos imobiliários dotados de melhor infraestrutura, o que eleva o padrão médio dos imóveis disponíveis para aluguel”, diz Silva.
A economista afirma que as diferenças refletem as particularidades de cada mercado imobiliário. “Aspectos como crescimento da demanda, disponibilidade de novos imóveis, dinâmica econômica e de renda local, mobilidade populacional e características do estoque disponível podem contribuir para que os preços avancem em ritmos distintos”, analisa.