Domingo, 06 de Setembro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 5 de setembro de 2026
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que quase 11 milhões vão contrair o vírus causador do sarampo em 2026. A maioria desses casos será na África e na Ásia, mas muitos países das Américas e Europa estão relatando surtos que afetam centenas ou até milhares de pessoas.
O número total de casos de sarampo por ano vinha caindo de uma estimativa de 38 milhões em 2000 para cerca de 10 milhões em 2019. Mas essa tendência se inverteu desde a pandemia da covid-19. Os casos de sarampo e o número de países que enfrentam epidemias da doença aumentaram à medida que a taxa de vacinação em algumas populações diminuiu.
Não há tratamento para o sarampo, mas as vacinas provaram ser seguras e eficazes na prevenção da doença. Pessoas não vacinadas que contraem sarampo correm o risco de complicações graves que podem levar à surdez, cegueira e morte. O risco de um desfecho adverso é maior em pessoas desnutridas e sem acesso a cuidados médicos adequados.
Os fatores específicos que levam a epidemias de sarampo variam de acordo com o país, mas a causa subjacente em todos os lugares é a redução nas taxas de vacinação.
Como o sarampo é altamente contagioso, a taxa de cobertura vacinal precisa estar acima de 95% para proteger uma comunidade contra surtos, criando o que é conhecido como “imunidade coletiva”, ou “imunidade de rebanho”. Uma dose da vacina contra o sarampo protege a maioria das pessoas contra a doença, mas são recomendadas duas doses para aumentar a eficácia.
Países mais pobres
A maioria dos países de alta renda apresenta taxas de vacinação contra o sarampo próximas à meta de 95%. Na Europa, a taxa média de vacinação com uma dose é de cerca de 94%, e a taxa de duas doses é de cerca de 88%.
Nos EUA, mais de 90% das crianças de até 2 anos receberam pelo menos uma dose da vacina contra o sarampo e mais de 92% das crianças em idade pré-escolar receberam duas doses. A taxa de cobertura vacinal está acima de 95% em muitas comunidades, embora seja muito mais baixa em alguns distritos escolares.
Em contrapartida, só cerca de 80% das crianças pequenas em países de baixa e média renda receberam pelo menos uma dose da vacina contra o sarampo, e apenas cerca de 70% receberam duas doses.
A maioria das crianças pequenas em países de alta renda conseguiu recuperar as doses perdidas antes de atingir a idade escolar. Mas, em países de baixa renda, milhões de crianças que perderam as vacinações de rotina durante a pandemia ainda são classificadas como “crianças com zero doses”, que não receberam nenhuma das vacinas recomendadas em seus países.
Em 2026, foram relatadas epidemias de sarampo em países que passam por conflitos armados ou que abrigam refugiados deslocados pela guerra, como Burundi, República Democrática do Congo, Somália, Sudão e lêmen.
Aumento de casos
O Canadá perdeu oficialmente seu status de eliminação do sarampo em novembro de 2025, após mais de um ano de transmissão contínua. Já o México e os EUA devem perder seu status de livres do sarampo quando o comitê de eliminação do sarampo da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) se reunir novamente em novembro de 2026.
O sarampo começou a circular novamente no final de 2024 e início de 2025 no Canadá, no México e nos EUA entre comunidades menonitas conservadoras, onde deixar as crianças sem vacinação tornou-se a norma cultural.
Na Carolina do Sul e em Utah, surtos recentes foram associados a baixas taxas de vacinação entre grupos religiosos conservadores que não têm vínculo com as igrejas menonitas. Já foram diagnosticados mais casos de sarampo nos EUA em 2026 do que em qualquer ano desde 1991.
O vírus do sarampo, no entanto, não se restringiu às comunidades religiosas e se espalhou para outros grupos populacionais com baixa cobertura vacinal. A epidemia que começou em aldeias menonitas no México atingiu comunidades indígenas vizinhas. Um surto que começou entre menonitas de língua alemä na Bolívia atravessou a fronteira com o Peru e foi então amplificado por visitantes de grandes festivais culturais, que levaram o vírus para casa com eles. (As informações são da revista Superinteressante e UOL)