Sexta-feira, 21 de Janeiro de 2022

Home em foco Morte de Maradona segue envolta em mistério e acusações

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A morte de Maradona completou um ano envolta em mistério, acusações, intrigas e uma série de indiciamentos feitos pela Justiça da Argentina. No último dia 8 de novembro, os responsáveis pela investigação do caso confirmaram o indiciamento por homicídio eventual doloso de sete pessoas que cuidavam da saúde do craque antes de sua morte.

Homicídio com dolo eventual é aquele no qual a pessoa prevê que suas atitudes podem resultar na morte de outra. Mesmo assim, prossegue com a ação, assumindo o risco de matar. Maradona morreu no dia 25 de novembro do ano passado, aos 60 anos, vítima de parada cardiorrespiratória.

Em abril deste ano, peritos convocados pelo Ministério Público de San Isidro apresentaram um relatório que determinava que o cuidado com a saúde do astro foi “irresponsável e inadequado”. Segundo esta análise, se Maradona tivesse seguido internado logo após a cirurgia para tratar do hematoma no cérebro no começo de novembro passado, ele teria tido mais chances de sobreviver. E sustentam que “o paciente foi abandonado à própria sorte.”

Maradona era gigante demais para ter sido abandonado no leito de morte, feito um moribundo, como defendem os que acusam os profissionais que cuidavam de sua saúde. A Argentina está atrás de um veredicto sobre os últimos dias de vida do astro.

Neste momento, há mais dúvidas do que respostas, mais intrigas do que esclarecimentos sobre sua morte. Segue aqui alguns pontos marcados pelos peritos que se debruçaram sobre o caso e que foram encaminhados para especialistas que participaram da junta médica para avaliar se estavam de acordo com suas conclusões.

Os profissionais de saúde citados nesse relatório já haviam sido denunciados e estavam sob investigação. Agora, eles foram oficialmente indiciados. Caso sejam condenados, a pena poderá ser de oito a 15 anos de prisão.

Conclusão da perícia

1) Ele deveria permanecer internado: Embora seja contra factual afirmar que Diego Maradona não teria morrido se tivesse sido internado adequadamente, tendo em vista a situação documentada nos laudos dos dias anteriores ao seu falecimento, os peritos concordam que ele teria uma melhor chance de sobrevivência se permanecesse internado.

2) Atuação médica: A atuação da equipe de saúde responsável por Maradona foi inadequada, deficiente e irresponsável, conforme registrado no relatório de apuração depois que ele ganhou sua casa em Buenos Aires.

3) Seu estado pedia manutenção na clínica: De acordo com as boas práticas médicas e uma vez resolvida a patologia aguda que motivou sua internação na Clínica de Olivos (hematoma subdural) e considerando o quadro clínico psiquiátrico e o mau estado geral, ele deveria ter continuado sua reabilitação e tratamento interdisciplinar em instituição adequada, não em casa.

4) Ele não respondia por si: Maradona, pelo menos desde que foi admitido no hospital, não estava em pleno uso de suas faculdades mentais nem em condições de tomar decisões sobre sua saúde.

5) Período agonizante antes da morte: Maradona começou a morrer pelo menos 12 horas antes das 12h30 do dia 25/11/2020, ou seja, apresentava sinais inequívocos de período agonizante prolongado. Os peritos concluíram que o paciente não estava devidamente controlado a partir das 12h30 daquele dia. Os sinais de risco de morte apresentados pelo paciente foram ignorados. Na gravação dos áudios do dia 25/11/2020, uma situação: “semana passada falei que tinha que levantar porque podia causar edema pulmonar”. Áudio de Taffarel enviado nos dias 18 e 19 de novembro de 2020 (referem-se ao fato de Maradona estar inchado).

6) Sem controle do paciente: A assistência de enfermagem durante a permanência em sua casa, após a saída da Clínica de Olivos, é marcada por deficiências e irregularidades, como foi amplamente exposto nos autos. Não havia controle dos movimentos do paciente. Maradona não apresentou controles corretos e assistência dos acompanhantes médico-assistenciais, de enfermagem e terapêuticos, nem na hora nem na forma. Conforme ditado pelos regulamentos de boas práticas.

7) Sem registro psicológico: Não há registro de atendimento psicológico domiciliar, após a saída da Clínica de Olivos, que os peritos consideram fundamental para o tratamento adequado da patologia que Maradona apresentou. Apesar de ter havido prescrição adequada de dose e posologia para seu transtorno tóxico frênico, a esse respeito os especialistas não descartam que esse medicamento não tenha influenciado no desfecho fatal, uma vez que não foram realizados controles nos 14 dias anteriores ao óbito.

8) Estado de saúde ao acaso: Depreende-se do documentário analisado pela Comissão Médica Interdisciplinar, que a equipe médica assistente representou plena e cabalmente a possibilidade do desfecho fatal em relação ao paciente, sendo absolutamente indiferente a essa questão, não modificando seus comportamentos e planos/atendimento médico traçado e mantendo as omissões prejudiciais mencionadas, deixando o estado de saúde do paciente “ao acaso”.

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