Sábado, 27 de Junho de 2026

Home Rio Grande do Sul Motorista de Porto Alegre é o primeiro gaúcho a receber aplicação de caneta emagrecedora fornecida pelo SUS

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Um motorista de 39 anos e residente em Porto Alegre se tornou, nessa sexta-feira (26), o primeiro gaúcho a receber aplicação de caneta emagrecedora fornecida pelo Sistema Único de Sáude (SUS). A iniciativa faz parte de um projeto-piloto do governo federal em parceria com o Grupo Hospitalar Conceição (GHC), da Capital, com a participação de 250 pacientes.

O procedimento foi realizado durante cerimônia com a presença do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, no auditório do Centro de Oncologia e Hematologia do Hospital Conceição (Zona Norte). Guilherme Henrique Streppel Panichi, 39 anos, foi contemplado com a dose inicial de semaglutida (princípio ativo utilizado na pesquisa) – o número de injeções varia conforme o caso.

Assim como os demais convidados a tomarem parte no estudo, ele tem ao menos uma comorbidade associada à obesidade mórbida e será acompanhado por equipes encarregadas de avaliar a sua perda de peso aos longo dos próximos 24 meses. O objetivo é reunir dados para mensurar, sob aspectos clínicos e financeiros, a possibilidade da incorporação à rede pública do País esse medicamento, atualmente disponível somente em estabelecimentos particulares.

“Sofro de excesso de peso desde os 6 anos”, relatou Guilherme. “Entrei na fila da cirurgia bariátrica, mas sempre tive receio por conta da minha saúde, então o projeto é para mim um privilégio e a oportunidade de uma vida melhor. Fazer esse tratamento no setor privado também é inviável para mim do ponto-de-vista financeiro.”

O ministro também se manifestou: “O Brasil se torna agora um dos pioneiros no uso de caneta emagrecedora por meio de um sistema público universal, algo que poucos países fizeram. As conclusões servirão de base para a rede pública compreender como o medicamento pode ser usado no tratamento de obesidade e diabetes, além de futuras incorporações pelo SUS, reduzindo a necessidade da bariátrica ou permitindo que seja realizada em indivíduos sem condições clínicas de se submeterem à operação”.

Ainda de acordo com Padilha, é fundamental garantir a produção local para que mais empresas produzam essa medicação e, com isso, derrubem os preços: “Não pode se repetir o que ocorreu com a insulina, quando poucas empresas internacionais detinham quase todo o monopólio da produção. Tudo que envolve o SUS diz respeito a milhões de pessoas, portanto o País precisa ter capacidade de produção [da caneta especial] ou não haverá sustentabilidade na oferta”.

Estatística preocupante

Na apresentação, foi destacado o aumento do sobrepeso e da obesidade no País. Dados da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, apontam que contingente de brasileiros sob tal condição mais que duplicou desde 2024, passando de 11,8% para 25,7% desde 2024. Além disso, houve no SUS uma alta de 57% nos tratamentos relacionados à doença entre 2022 e 2025.

O cenário é também uma barreira a ser enfrentada para melhorar a qualidade de vida dos gaúchos, complementou o diretor-presidente do GHC, Gilberto Barichello: “O Rio Grande do Sul é um dos Estados com maior índice de sobrepeso e obesidade no País. Portanto, isso tudo mostra que nós temos um grande desafio no Sistema Único de Saúde. Esse estudo vai contribuir muito para que a gente possa reduzir esses índices”.

Como será a pesquisa

Líder de Inovação no GHC e um dos pesquisadores do projeto-piloto (denominado “Real-Bari), Fernando Anschau explica que todos os pacientes envolvidos estão na fila do SUS para a cirurgia bariátrica, devido a obesidade grave. O próprio perfil do grupo é emblemático: 91% têm obesidade mórbida, com Índice de Massa Corporal (IMC) acima de 50, e só 47% possuem condições clínicas para a bariátrica. Já a comorbidade mais prevalente é a hipertensão arterial.

“Chamamos esse projeto de ‘ponte para a cirurgia bariátrica’. Nosso público-alvo precisa de uma condição melhor de saúde para fazer a cirurgia. Com esse trabalho, nossa perspectiva é encurtar o tempo da fila e devolver qualidade de vida em um prazo menor”, disse o médico.

O trabalho é bancado por recursos transferidos ao Hospital Conceição pela Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Faurgs), provenientes de aporte financeiro da produtora do medicamento. Mais detalhes podem ser conferidos no site ghc.com.br.

(Marcello Campos)

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