Sexta-feira, 26 de Junho de 2026

Home Variedades Musculação ajuda a prevenir Alzheimer e melhora independência de pessoas que têm a doença

Compartilhe esta notícia:

A musculação pode desempenhar um papel importante tanto na prevenção do Alzheimer quanto no cuidado de pessoas que já receberam o diagnóstico da doença. Além de ajudar a preservar força, mobilidade e funcionalidade ao longo do envelhecimento, a atividade está associada a mecanismos biológicos que favorecem a saúde cerebral e podem contribuir para reduzir o risco de declínio cognitivo.

O aposentado Rogério Beck, 59, recebeu o diagnóstico de Alzheimer há cerca de dois anos. Desde então, passou a praticar mais exercício físico como parte do tratamento. Trocou a corrida pela musculação e treina de três a quatro vezes por semana, dividindo as sessões por grupo muscular. Diz que sente a diferença nos dias em que não vai: “passo o dia meio irritado, acabo dormindo pior”.

A esposa Karin Beck, 55, faz o caminho inverso: treina para prevenir o diagnóstico. Com histórico familiar de Alzheimer —a mãe morreu em 2004 devido a complicações da doença—, ela faz pilates duas vezes por semana, modalidade que combina força, equilíbrio e mobilidade, e acrescentou duas sessões de caminhada à rotina.

Paulo Caramelli, neurologista e professor da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), afirma que a atividade física, incluindo a musculação, é considerada parte fundamental de estratégias de prevenção e cuidado do Alzheimer. Segundo ele, o sedentarismo é um dos principais fatores de risco modificáveis para demência, o que coloca o exercício físico no centro das intervenções não farmacológicas.

Entre os mecanismos biológicos associados à musculação, Caramelli destaca a ação das miocinas, substâncias produzidas pelo músculo durante a contração. Essas moléculas entram na circulação e podem alcançar o cérebro, onde estimulam a formação de novas conexões entre neurônios e contribuem para a manutenção da plasticidade cerebral —capacidade do cérebro de se reorganizar, criar novas conexões entre neurônios e se adaptar ao longo da vida.

Em pessoas já com Alzheimer, especialmente nas fases em que há sarcopenia (perda da massa muscular), a musculação pode ajudar a melhorar mobilidade, reduzir risco de quedas e atenuar o declínio funcional associado à evolução da doença. Mas ainda falta evidência robusta de efeito direto sobre a progressão da doença.

O educador físico e pesquisador Luiz Sinésio Neto, professor da UFT (Universidade Federal do Tocantins) e diretor científico da Abraz (Associação Brasileira de Alzheimer) no estado, recomenda o chamado exercício multicomponente, que combina musculação, atividades aeróbicas, exercícios de equilíbrio e mobilidade.

Ele cita um estudo publicado em 2015 na revista The Lancet, que acompanhou 1.260 pessoas entre 60 e 77 anos com maior risco de desenvolver Alzheimer. A intervenção combinou treinamento cognitivo e controle de fatores cardiovasculares com atividades como musculação, exercícios aeróbicos e práticas de equilíbrio e mobilidade. Ao final de dois anos, o grupo submetido à intervenção apresentou melhor desempenho cognitivo em comparação ao grupo controle.

Um relatório da The Lancet publicado em 2024 reuniu evidências sobre fatores modificáveis associados ao risco de demência ao longo da vida. O documento identificou 14 fatores de risco, entre a inatividade física, e destacou que mudanças nesses determinantes podem reduzir a probabilidade de desenvolvimento da doença.

Karin adotou boa parte dessas mudanças no estilo de vida da família, incluindo a alimentação baseada no padrão mediterrâneo. O modelo prioriza o consumo de frutas, verduras, legumes, grãos integrais, azeite de oliva e peixes, com redução de carnes vermelhas e alimentos ultraprocessados. “Meu objetivo é saúde”, diz ela.

Rogério, além da musculação, faz atividade cognitiva em horário separado, com acompanhamento de uma neuropsicóloga. Ele recebeu o diagnóstico depois que começou a perceber mudanças sutis no dia a dia, principalmente na memória de curto prazo e em tarefas simples, que antes eram automáticas.

Segundo Neto, a relevância da musculação também está ligada ao papel do músculo no organismo. “O músculo é um dos maiores e mais importantes tecidos do corpo humano. O músculo fraco representa doença e, com quantidade e qualidade adequadas, representa saúde”, afirma.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Variedades

Sabrina Sato faz a primeira aparição grávida e confessa batalha para manter segredo: “Estava desesperada”
O erro ao dormir que causa queda de cabelo drástica
Deixe seu comentário
Baixe o app da RÁDIO Pampa App Store Google Play
Ocultar
Fechar
Clique no botão acima para ouvir ao vivo
Volume

No Ar: Programa Pampa News