Terça-feira, 20 de Janeiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 9 de dezembro de 2023
Em menos de 24 horas em Buenos Aires, o ex-presidente Jair Bolsonaro criticou bancos e sindicatos, chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de “pró-terrorismo” e minimizou a possível candidatura da mulher, Michelle Bolsonaro, nas eleições de 2026. As falas foram feitas durante entrevista a uma rádio argentina Mitre, do grupo Clarín. Ele está no país para participar da posse do presidente eleito da Argentina, Javier Milei.
A conversa com o jornalista Eduardo Finmann durou cerca de 30 minutos e foi traduzida pelo filho do ex-presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Eles estão sendo acompanhados no país por outros parlamentares de direita. Durante esse tempo, ele fez diversas críticas a Lula e também a ações do governo dele, como de indicar o ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Em relação ao conflito entre Israel e o grupo terrorista Hamas, no Oriente Médio, o apresentador afirmou que Lula teve uma posição “pró-Palestina”, “pró-Hamas” e “pró-terrorismo” e questionou a posição de Bolsonaro, que aproveitou a deixa: “Para você ver a enorme diferença entre mim e o Lula, eu sempre estive do lado de Israel”. Perguntado se considerava o petista “pró-terrorismo”, o ex-presidente disse que “sim”.
Michelle Bolsonaro
Questionado sobre as eleições de 2026, Bolsonaro disse que está inelegível, mas afirmou que “continua a arrastar multidões pelo país”, e criticou a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de o tornar inelegível por 8 anos, em dois julgamentos distintos. Sobre a possibilidade de Michelle concorrer na próxima eleição presidencial, ele minimizou.
“Por enquanto não se discute esse assunto. Ela tem uma popularidade muito grande no Brasil, mas ela não é muito ligada às questões político-partidárias”, afirmou o ex-presidente. A ex-primeira-dama, contudo, tem rodado por todo o país em busca de filiações para o PL. Atualmente, ela é presidente do PL Mulher.
Economia
Aliado do presidente eleito, Milei foi chamado de “Bolsonaro argentino” durante a campanha eleitoral. O político do PL ainda aproveitou para fazer coro a propostas econômicas do presidente eleito, que são vistas com preocupação por países da América do Sul, como o fechamento do Banco Central. Diferentemente do Brasil que o banco tem autonomia do Executivo, na Argentina o BC é ligado diretamente ao governo federal.
“Criamos algumas medidas que os banqueiros não gostaram. Nós criamos no Brasil algo que é conhecido como Pix. Ou seja, eu aqui com esse telefone celular transfiro para alguém do Brasil qualquer importância sem qualquer taxa. E os banqueiros perderam bilhões de reais com essa inovação nossa). Os banqueiros não gostaram nada”, afirmou.
Agenda na Argentina
O presidente eleito da Argentina recebeu Bolsonaro na sexta, no Hotel Libertador, em Buenos Aires, de onde sairá na manhã de domingo (10) para ser empossado.
Bolsonaro apoiou o ultraliberal Milei na corrida presidencial. Logo após o resultado do pleito nacional ser divulgado, no fim do mês passado, o político brasileiro conversou com o argentino, por meio de vídeo, e foi convidado para a cerimônia. Esse, inclusive, é um dos motivos de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não ir ao evento de posse.
Mas, oficialmente, o governo federal trata o assunto como incompatibilidade de agendas, uma vez que o petista estaria muito cansado após uma série de viagens internacionais. O petista também foi alvo de ataques de Milei durante a campanha argentina.
O governo brasileiro será representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira na cerimônia de posse domingo. O evento está marcado para começar às 10h30, com a saída de Milei do Hotel Libertador. A passagem do cargo acontece às 11h30. Depois, o presidente vai discursar no Congresso.