Quinta-feira, 27 de Agosto de 2026

Home Eleições 2026 “Não sou eu que tenho que prestar conta, é o Lula”, diz Flávio Bolsonaro sobre contas do filme “Dark Horse”

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O candidato do PL à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro, se irritou ao ser questionado pela imprensa se vai apresentar o contrato firmado entre a produtora do filme “Dark Horse” e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Em maio, quando foram revelados os áudios de Flávio pedindo R$ 61 milhões ao banqueiro para a produção do filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ele havia prometido prestar contas em 30 dias.

Passados mais de três meses da promessa, o senador afirma que a produtora Go Up Entertainment, da empresária Karina da Gama, já prestou contas do filme e que os relatórios foram vazados pela imprensa. Ele negou que tenha recuado da promessa que fez em 19 de maio.

“Não houve recuo nenhum. Eu vi a prestação de contas no g1. Dá um Google vocês no g1. A prestação de contas tá lá na matéria do g1 dizendo que a produtora gastou mais até que recebeu de investimento [de Daniel Vorcaro]. A prestação de contas foi feita dentro da investigação que está acontecendo em São Paulo e a própria imprensa vazou. Da minha parte eu digo, não sou eu que tenho que prestar conta, é o Lula, porque fez reuniãozinha escondida com Augusto Lima e o Vorcaro”, disse Flávio Bolsonaro.

De acordo com reportagem publicada pelo portal de notícias g1 em junho, a empresária Karina da Gama anexou ao inquérito que investiga o filme em São Paulo uma perícia contratada por ela mesma, onde aponta gastos de R$ 75 milhões com a produção do filme.

A perícia não apresentou nenhum recibo ou nota fiscal dos gastos feitos com a produção, tampouco da origem do dinheiro recebido para produzir o filme.

Diante da insistência dos repórteres em dizer que não houve transparência da produtora Go Up na apresentação do contrato com Vorcaro e da verba recebido pelo dono do Banco Master, Flávio Bolsonaro se irritou:

“Gente, olha só, vocês vão parar no tempo? O Brasil tá lambendo em chamas, todo mundo endividado, Brasil quebrado… e vocês querem insistir com uma relação privada, de um filme privado que não tem partilha pública de nada? Não adianta, vocês não vão me colocar na mesma página pública desse cara. Não vão me colocar. Hoje o governo Lula é que deve explicações. Vão cobrar explicações dele”, afirmou.

Produtora

Por meio de email enviado à reportagem na semana passada, Karina da Gama afirmou que “a prestação de contas e a documentação relacionada ao filme Dark Horse foram apresentadas às autoridades competentes, observando os critérios jurídicos aplicáveis e dentro dos procedimentos legalmente admitidos”.

Ela também afirmou que “por orientação jurídica, entretanto, não podemos divulgar publicamente o conteúdo dessa prestação de contas, documentos financeiros, contratos ou demais informações protegidas por deveres legais e contratuais de confidencialidade”.

“O que podemos afirmar é que a documentação foi apresentada pelos meios juridicamente adequados às autoridades competentes e permanece à disposição delas para quaisquer esclarecimentos adicionais que eventualmente entendam necessários”, afirmou.

Prestação de contas 

Em junho, a produtora Go UP Entertainment, responsável pelo filme “Dark Horse” declarou que o longa-metragem custou ao menos R$ 75,1 milhões, segundo documento anexado ao inquérito da Polícia Civil que investiga a empresária Karina Ferreira da Gama, dona da empresa.

Karina é alvo de um inquérito que apura o contrato de R$ 108 milhões para a instalação de pontos de wi-fi na periferia da cidade de São Paulo, em um contrato firmado com à ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB), que também pertence à empresária e fica no mesmo endereço da produtora do filme bolsonarista.

O banqueiro Daniel Vorcaro ajudou a financiar o filme, e as negociações envolveram contatos diretos com o filho mais velho do ex-presidente, o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que pediu dinheiro e pressionava pelos pagamentos.

A Polícia paulista e o Ministério Público querem saber se houve utilização de recursos públicos do contrato municipal na produção do filme sobre Bolsonaro.

Segundo o documento anexado ao inquérito, R$ 54 milhões desse montante declarado foram gastos no exterior e R$ 20,9 milhões, no Brasil. Em dólar, o filme saiu por US$ 13,39 milhões, aponta o documento, apesar de ter sido todo filmado no Brasil. (Com informações do portal de notícias g1)

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